{ Mini-história }

– Você tá nervoso?
– 
Eu tou. Você não?
– Tou, mas disfarço melhor.

A verdade é que eu não estava mais. Eu sabia que devia estar ali. Estive nervosa até quinze minutos atrás, quando mal conseguia engolir meu café. Até abrir a porta e te encontrar ali. Agora você já tinha sorrido pra mim e eu sabia que não devia estar em nenhum outro lugar do mundo.

Foi há tanto tempo, mas eu podia estar até agora abraçando você com as minhas pernas e beijando suas costas. Sentindo o seu cheiro. O meu cheiro em você. Mas nós sempre soubemos que não seria assim.

Você saiu, mesmo comigo pedindo pra ficar. Eu lembro que foi você quem falou em amor e faz alguma ideia da confusão que isso causou. O que você não sabe é que não precisava dizer que me amava pra eu estar lá, medindo as falanges da sua mão com a minha. Redesenhando seu rosto mentalmente, quase como aquele que eu fiz em carvão. A diferença é que eu te desenhei no papel pra te tirar de mim, e agora eu gravava seus detalhes pra devolver as memórias pro espaço que você deixou vazio.

Eu não o culpo por ter vindo e bagunçado tudo. Você me encheu de música. Talvez você espere que meu gosto musical esteja melhor em dez anos (não vai acontecer). Em algum momento eu acho que o agradeci por vir me salvar. Dias horríveis em que você me fez sorrir como era difícil há muito tempo. Agora você está calmo, eu não. 

Pego os lápis pra te desenhar mais uma vez. Ninguém quer ter a missão de salvar outra pessoa, eu sei.

  1. Lidiane Andrade’s avatar

    sempre tem alguém que nos salva…

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