{ Antes uma certeza }

Duas e meia da manhã. Ela nunca acreditou em contos de fadas. Nem Papai Noel ela esperava, quanto mais acreditar em príncipe encantado. Tinha sérias reservas quanto ao assunto: homens prestavam praquilo que ela sempre soube que prestavam. E pronto.

Na primeira vez eles estavam muito bêbados. Foi ótimo, mas ele virou pro lado e dormiu. Enquanto ela, acordada, pensava que tinha feito merda – mas era bom.

A única ela não era – e sabia disso. Havia muitas outras. Mas ela não queria saber das outras. Queria saber dele. Justo ela, que sempre foi tão esperta. Agora incerta de várias coisas.

Não sabia que existiriam outras vezes, em que eles estariam de novo muito bêbados. Nem sabia que ia querer que ele ficasse um pouco mais. Nem que ele não saberia, no dia seguinte, o que tinha feito – com ela – na noite anterior.

Simplesmente ela não fazia a menor idéia. O que fazer, se existiam príncipes encantados ou se eles preferiam as princesas. Talvez fossem só um bando de sapos e ela estivesse delirando.

É, devia ser isso. Tomara que sim.

Adendo

E assim eu me pergunto: por que porra tou pagando a maldita análise?
Pra ter certeza que sou insegura.

Pra saber que todos bebemos demais.

Pra ter alguém pra me ouvir sem reclamar.

Pra tentar resolver problemas que nem eu consigo.
Talvez seja a hora de retomar o juízo.

ps: como ter um texto razoável se as coisas não são razoáveis?

certeza meio manca, essa…

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