{ Agora era }

“Me chama um táxi.”

“Agora?”

“Por favor.”

Foi quando ela descobriu que era puta sem receber por isso. Desconfiava, mas nunca havia tido resposta tão clara.

“Tuuuu… tuuuu… por favor, um táxi.”

Era uma puta. Já tinha ouvido falarem isso dela, mas era a única vez em que tinha se sentido como tal.

“Pronto, já tá vindo.”

Veste a blusa. A calça. Agora espera. Ele dormia. Sentada na cama, ela encostou na parede, pés sobre o colchão. Era questão de tempo até a cama ser toda dela de novo.

“Pééim…”

Ele acordou assustado. Havia deitado com uma puta. Talvez só mais uma, ela não sabia. Ele se vestiu olhando para os pés dela ainda em cima da cama. Que diabos queria com os pés? Ela procurou os olhos dele por trás dos cabelos.

“Estou embriagado.”

E ela era uma puta. Quis ser tudo, amiga, namorada, amante. Queria muito estar com ele – e então era uma puta.

Ele a beijou antes de sair. Talvez para consolá-la agora que sabia a verdade.

ERRA UMA VEZ

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Leminski

e não havia mais o que fazer.

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