{ Let´s have sex }

Esse, assim como os dois posts anteriores, são em especial pra uma amiga minha. Curioso é que ela não lê o blog. Mas, se lesse, ela saberia.

(Eu fiz essa crônica há alguns anos, ainda na faculdade, e ela adorou. Na verdade, não é o mesmo texto porque aquele se perdeu graças à minha placa mãe assassina! O contexto é que é o mesmo, apesar desse me parecer mais sério.)

Let´s have sex

Dezesseis e trinta e cinco, foi a senhora até à livraria. Vários livros. Olhou e se deparou com manuais de sexo, dizendo como ter uma noite de pleno prazer. Para gozar a noite toda, para fazer o marido enlouquecer de tesão. Tanta bibliografia não podia estar errada: a vida com o marido devia mesmo estar meio morna, ela é que não tinha percebido.

Como ter cinco orgasmos múltiplos em uma hora de sexo? Não é possível, ela nunca tinha experimentado aquilo. A vida sexual deles devia mesmo ser uma porcaria. A senhora comprou logo uns dez manuais do tipo. Um deles haveria de satisfazer as necessidades do casal.

Na hora do vamos-ver, lá estavam eles. A pilha de livros ao lado da cama, posições escolhidas, páginas marcadas.

Isso, agora passa a perna para lá.
Não, não, tá errado! Olha aqui como é que faz!
E o que é que eu faço com picolé?

E, em meio a tantas regras, não havia tesão que resistisse. As pernas já não conseguiam mais se manter na posição indicada, quanto mais fazer movimentos como mandavam as “bíblias do sexo”.

Estavam desolados. Era impossível, não havia mais solução para eles. Deviam mesmo desistir, separar-se, mesmo depois de 37 anos de casados.

Foi quando ela olhou pro marido, ali ao lado, com aquela barriguinha de cerveja e o dedão do pé torto. Os olhos meio vesgos. As mãos já enrugadas. E então ela teve certeza. Entendeu tudo.

Tudo o que ela precisava estava ali, há anos. As qualidades e defeitos que tanto a encantaram. Um fogo começou a surgir dentro dela. Tesão louco, irrefreável. Ela olhou pro marido e eles se amaram, como faziam há 37 anos.

Só aí ela entendeu que eles eram felizes na cama e fora dela. E nenhum manual de auto-ajuda os convenceria do contrário.

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