{ Os canalhas de antigamente }

Não se fazem mais canalhas como os de antigamente. Românticos, galanteadores e, ainda assim, canalhas. Capazes de arrebatar o coração da mais sensata das moçoilas com um único beijo nas costas da mão.

Os canalhas de antigamente tratavam cada rapariga com um tratamento especial – e uma cantada certeira para cada ocasião. Sabiam como dosar a distância, fundamental para que ele pudesse amealhar à sua lista outras senhoritas, sem fazer com que as já conquistadas o esquecessem.

Até porque a grande sacada dos canalhas era brincar de quebra-cabeça de corações. Despedaçá-los e reconstruí-los. Manter garotas secando as lágrimas nos lencinhos bordados, esperando o reencontro. Relendo bilhetes. Escrevendo nos diários o quanto esperavam pelo momento em que eles voltariam e lançariam aquele olhar fulminante, enquanto os lábios tocariam o dorso da mão da pobre mocinha.

E ser mulher de malandro, nos tempos áureos dessa prática, era honra. Senão, o que dizer de qualquer senhorita apaixonada pelo grande galanteador Vinicius de Moraes? Os canalhas eram grandes amantes – e, de lambuja, a bem-amada ainda podia acabar merecendo uns versinhos ou uma letrinha de música.

Naquele tempo, os canalhas tentavam esconder sua “natureza incontrolável”. Negavam essa posição, embora toda a cidade (ou a região, dependendo da competência do rapaz) soubesse que ele era um legítimo safado. Ah, os canalhas de antigamente tinham estirpe, coisa que não se vê mais hoje em dia.

Não se fazem mais canalhas como os de antigamente. O que é uma pena.

snif…

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