{ Efêmero }

A graça da vida reside na inconstância do todo que compõe o mundo. O que está aqui, agora, pode estar completamente diferente daqui a 10 segundos. Como um leite que ferve e derrama, como uma bomba que explode, como um amor que surge ou que abre a porta e vai embora.

Algumas vezes não acho graça. Quando o amor do outro vai mas o meu ainda mora lá. Quando o leite derrama e tenho que limpar a meleca toda. Não é divertido porque dá trabalho. Exige sacrifício, fazer uma coisa que eu não queria, justo agora, estava tudo tão bem, estava tudo uma porcaria mesmo, não devia ter saído da cama.

E onde está a vantagem na efemeridade das coisas? Ah, são tantas. Se sujou, dá pra limpar. Se quebrou, dá pra colar. Se se foi, sempre é possível lembrar. Mas há o que prefiro esquecer. Só que já não me recordo mais o que é.

Além disso tudo, a efemeridade pode ser hilária. Como as multidões instantâneas que têm se formado através de e-mails, sem motivo e sem objetivo. São no mínimo engraçadas. Eu ria muito lendo a matéria na Folha Online, na sexta. Porque a situação era cômica e porque era sexta-feira.

Assim como todo o restante dos componentes do universo, meu mundo também é recheado de inconstância. Tudo muda após as 00h de sexta. Porque é sábado. Ou nada muda. Mas continua sendo sábado (pelo menos até ser domingo).

A velocidade dos acontecimentos é tão rápida quanto meu riso. E não há como segurar nem um, nem outro. E hoje só é terça-feira.

Cadê? Cadê? … Ih, já foi…

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