{ Not yet }

Me deixa dormir. Só mais cinco minutinhos. Só mais uma hora. Talvez mais cinco horas, ou cinco dias.

Mesmo que tudo esteja tão bem, mesmo que tudo esteja tão em ordem, existe alguma coisa dentro dela que a lembra que a mochila que ela carrega está ficando pesada demais. E quando faltarem ombros ela não poderá pedir que a ajudem.

E não dá pra simplesmente largar tudo e sair correndo com os braços abertos. Não dá pra esquecer de tudo. O livro na estante continuará sempre com a dedicatória que ela escreveu, com o cuidado de não revelar tudo o que era capaz de sentir.

E ele pode arrancar a página pra evitá-la se quiser. Ele pode se perder com todas as outras mulheres – não pra esquecê-la (até porque isso nunca foi preciso). Ele pode se embrenhar nas tramas mais desconexas pra ser feliz e não precisar encarar os olhos dela nunca mais – aqueles olhos grandes e sempre tão brilhantes. Nunca mais.

Mas ela não. Ela tem que carregar a mochila, cada vez mais pesada. Ela precisa escolher o que tirar dela. E ela não queria desistir das lembranças, que são a única coisa que restou.

Uma hora ela terá que parar e tirar todo aquele entulho. Mas não agora. Agora a mochila é pesada, mas ela quer acreditar que é forte o bastante pra carregá-la.

às vezes, viver se torna um fardo pesado demais pra carregar…

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