{ Insônia }

Vontade louca de tomar um café e fumar um cigarro. E eu nem fumo. Às vezes a vida obriga a gente a querer um café e um cigarro. E dias mais felizes.

Não conseguia dormir, coisa demais pra uma cabeça só. Dinheiro-contas-trabalho-trabalhos-faculdade-e-mais-trabalhos, além daquelas coisas que insistem em dar errado desde o dia em que eu descobri que tudo que eu achava certo, na verdade, estava errado.

E mais do que era capaz de agüentar, recados cretinos no Orkut, e-mails bizarros na caixa de entrada. Gente morta mandando mensagens do além, querendo me provar que isso é possível. Como se fosse possível, também, essa história de amor dar certo. Já escreveu o sábio Nelson Rodrigues: “não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo”.

Não que amasse, não fazia isso há tanto tempo que até já tinha esquecido. Pelo menos, não amava homens. Amava os cigarros que não fumava e o café que bebia sempre, mas que, agora, às 2h30 da manhã, insistia em querer tomar. Deitada na cama, antes de dormir. Contra todas as recomendações médicas.

Mais do que ser contra tudo o que os médicos insistem em indicar, era contra sair da cama quente na noite chuvosa. Ia ficar ali e dormir na marra, mesmo que a vontade de um cigarro me mantivesse acordada. E eu nem fumo. Credo.

Precisava sair. E de cigarros. E de álcool. Talvez as três coisas juntas. Precisava de um pouco de alegria na noite chuvosa que teimava em piscar relâmpagos da janela. Precisava parar de lavar a louça e cozinhar e fazer exercícios e voltar a sair e encher a cara e voltar tropeçando na escada.

Um irish coffee, uma nuvem de fumaça. Uma noitada num boteco esbranquiçado pela névoa do cigarro, escurecido pela falta de luz. E umas doses de tequila. Uma mensagem: “não sei quem é você nem o que você fez com a Letícia, mas eu a quero de volta”.

Eu também.

Dias que pedem um cigarro e um café, mesmo que você não fume. E uma garrafa de vodca, na guia da calçada, vendo o dia amanhecer. Mesmo que você não beba.

Porque eu sou contra preocupações na hora de dormir e em todas as outras horas do dia também. Os dias devem ser felizes com cafés durante a tarde, mesmo que com adoçante. E cigarros durante a noite, mesmo que sem companhia. E companhias durante toda a semana, mesmo que sem amor.

Continua chovendo e a cama continua quente. O sono começa a chegar e os relâmpagos insistem em iluminar o quarto a cada três minutos. Pessoas mortas, vivas e recém-assassinadas. Girando em volta da minha cama me lembrando o quão difícil é dormir quando se precisa de um café e um cigarro.

Até o sono chegar de vez.

ZzzZZzZzZZZzzZZzZ…

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