{ Manifesto pelo ócio }

Eu defendo. Todo mundo deveria ter ao menos um dia na semana sem fazer nada. E não falo só de não trabalhar, não ir pra aula e atividades corriqueiras efetuadas geralmente de segunda a sexta (e, às vezes, sábados de manhã). Falo de não fazer nada. Não usar esse tempo fazendo faxina, nem lavando o carro, nem tendo que levar o cachorro para passear.

Um dia totalmente seu, sem obrigação nenhuma, fazendo só o que der vontade – e se der. Assim, você poderia gastar sua noite de sábado dançando enlouquecidamente na balada. Ou dormindo bem quentinho e aninhado na sua cama. Sim, porque, às vezes, há a obrigação social de sair no final de semana e se divertir (mesmo que você não queira e não se divirta). Uma dessas tais obrigações que a sociedade impõe, como manter a cozinha arrumada, casar e ter filhos. Mas não fujamos do tema.

Semana passada, o feriado prolongado. Era muita coisa pra eu fazer. Quer dizer, na verdade não era. Eu só não queria fazer. Tive quatro dias completamente ociosos, enquanto a pilha de afazeres acumulava. Curiosamente, sempre que eu digo “não fiz nada do que devia no feriado”, um movimento solidário me apóia, ao coro de “eu também não”.

Mas as pessoas não estavam felizes. Estavam com culpa de não terem feito nada. Culpa do sistema, da educação cristã, da falta de prozac, sei lá. Mas que isso não está certo, não está.

Proponho, então, o manifesto pelo ócio. Por dias inteiros deitado no sofá, assistindo a filmes e dormindo no meio deles, se isso for o que você realmente quiser fazer. Por tardes deitado ao sol, olhando o céu e as formiguinhas carregando migalhas (as formigas também podem ter um dia de ócio, se assim desejarem).

Um movimento pelo direito de não fazer absolutamente nada, sem culpa e sem pensar no que deveria ser feito.

Todos os cidadãos devem ter o direito de passear vagarosamente no shopping, sem medo de perder a hora da sessão de cinema. Devem lamber seus picolés na velocidade que quiserem, sem se preocupar se está derretendo e pingando na blusa. Devem comer quando têm fome, sem se ater a horários pré-determinados para realizar refeições, bem como não obedecer a horários de dormir e de sair da cama.

Aliás, defendo o direito do cidadão não levantar da cama, se esse for o seu desejo. E passar o dia entre travesseiros, lençóis e cobertores.

Manifesto-me pelo direito de não correr no parque, de não ir ao mercado e de não cozinhar. De não ir ao boteco encher a cara com os amigos, de não ler e de não passar os dias namorando ou indo à festa do primo de cinco anos.

Pelo menos um dia na semana.

Naaaaaaaaaaaaaada…

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