{ Histórias Curitibanas }

Levantava, fazia o café. Lavou, passou e cozinhou pra ele. Foi elemento sorridente nos jantares formais em que sua presença era necessária. Deu-lhe uma filha. Cumpriu seu papel na sociedade. Casada, esposa e dona-de-casa, mas cuspiu no café dele por pelo menos 27 anos.

Confessa. Vez ou outra, assoou o nariz e misturou no café com leite.

*

Eu não acredito nisso de amor. Nunca achei ninguém que me amasse. Nunca achei ninguém que merecesse me amar. Eu casei e pronto. Depois de velha, procurar o amor? Não. Eu só procuro o que eu posso encontrar.

*

Uma mulher tão boa. Uma tristeza ser passada pra trás desse jeito. Ai se fosse comigo. Olha lá, judiação. Toda preocupada com as crianças. É bom, a gente chega e deixa os meninos com ela. Aquele marido dela não deixa ela se divertir, pelo menos assim ela se ocupa, não é? Coitada ser corna desse jeito. Olha, o marido safado tá olhando pra cá. Ah, mas até que ele é bonitão.

*

Não agüentava mais esfregar e deixar de molho as camisas sujas de batom. Foi ter com o marido. Se ele continuasse com isso, teria de tomar medidas drásticas: usaria sabão de coco pra tirar as manchas, mesmo que ele não gostasse do cheiro. E tinha dito.

*

Velha ridícula. E não me venham com essa de que se arrependeu do passado conservador, porque ninguém se arrepende de ser decente.

Rebolava na rua, metida numa mini-saia. Mulher com filha e netos fazendo esse papelão. Credo em cruz.

É…

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