{ E aí, neguinho? }

“Hum, meu esmalte tá descascand…”

“Escuta aqui, moça…”

Uma blusa azul. Cabelos desgrenhados. E um buraco preto apontado pra mim.

“…me dá todo o dinheiro que você tiver…”

Era a primeira vez que eu tinha uma arma apontada pra mim. E, o pior, com alguém completamente desconhecido no controle.

“…se você não tiver nada eu te mato…”

Carteira, carteira, carteira. Abre o zíper, maldita carteira, cadê a carteira?

“…se você gritar ou se o sinal abrir você morre.”

Aqui a porra da carteira. Isso, tem dinheiro, graças a Deus. Pega logo e me deixa ir, por favor.

“Tem mais aí, tou vendo.”

Porra, até meu dólar? O que minha vó me deu com as explicações de todos os significados místicos que ela carrega?

“É, me dá tudo.”

Opa, o sinal abriu. Respira, respira. Tem que respirar, mulher, respira! Engata a primeira e sai!

Antes que perguntem de novo: não, o cara não era um neguinho. Era um branquelo filho da puta.

Saldo: 40 reais a menos, chororô e tremedeira…

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