{ Foi só um engano }

Ahm? Mas com quem eu tou falando? Devo ter me enganado.

Isso aí. Desculpe, foi engano.

Aliás, essa foi a frase do final de semana. Na primeira vez, dita pela minha nova companheira de casa, ligando pro namorado e falando com um completo desconhecido.

“Oi, tudo bem?”

“Tudo bem, o que que você tá aprontando?”

“Ah, tou aqui, blábláblá.”

“Que bom, e…”

“Peraí, quem tá falando?”

“Maurício.”

“Ah, Maurício, eu queria falar com o Luciano.”

“Não tem nenhum Luciano aqui.”

“Ai, desculpe, acho que me enganei!”

Em seguida, toca o meu celular.

“Quem é?”

“Letícia”

“Letícia? Mas de quem é esse celular?”

“É meu, uai!”

“Você esteve em Barracão no final de semana?”

“Ahm? Não! Nunca estive em Barracão.”

“Maldita, me deu o número errado, aquela vaca. Desculpa, foi mal.”

E assim foi. Começou a sexta à noite e se estendeu até segunda no começo da tarde, na verdade. Vários telefonemas enganados. Teve engano até no MSN, programa de mensagens instantâneas na internet. Não era possível que tanta gente se confundisse assim, justamente com o meu número.

Só faltou ligarem pedindo uma pizza. Ou um exame de próstata. Quase todas as alternativas um pouco menos bizarras aconteceram.

Ignorando todos os sinais sobre o quesito “engano”, na segunda, fui conversar com o moço com quem eu saía há mais ou menos um mês. Aquela situação meio esquisita, nós meio brigados, sem nos falarmos há dois dias depois de uma espécie de crise.

Pois veja bem, as coisas são assim mesmo. A culpa não é de ninguém.

Todas as noites que passamos juntos, as risadas que demos juntos, as comidas que preparamos juntos. As vezes em que dissemos que gostávamos um do outro. Os beijos que trocamos, apaixonados na cama, fugidios em frente aos que não sabiam que estávamos juntos.

Desculpe, foi engano. Aquela mulher que eu achei que gostava, vai ver, não era você. Até mais.

Tu tu tu…

Alou?

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