{ Promessa é dívida }

Eu prometi. E apesar de bem atrasada, algumas pessoas merecem as promessas que eu faço. Ela, com certeza, é uma dessas.

Ela é a minha companheira de viagens. E esse devia ser um post sobre o Ano Novo no Rio. E vai virar tudo, menos isso. E ela vai brigar comigo, mas eu nem ligo.

Nossa especialidade é fazer coisas sem programação nenhuma, com pouco dinheiro.

(Porque a gente ainda acredita no dia em que vai ser rica e milionária e vai poder fazer as coisas na louca e com muito dinheiro.)

E assim foi, pra não fugir do que sempre é.

Acordar cedo, ônibus, aeroporto. Táxi, apartamento/escritório dum amigo nosso. E vai ser o máximo da ordem cronológica que eu serei capaz de contar.

O calor de sempre, mas agora a gente até consegue comer. No show dos Stones, primeira ida ao Rio com ela, o básico da alimentação foi sorvete do McDonalds. Isso, claro, na época que eu comia McDonalds, tomava Coca-Cola e usava tênis Nike, mas isso não tem nada a ver com a história. E garanto que se ela estivesse aqui, ela gritaria “eu não alimento a indústria da miséria!”, mesmo que ela alimente. Mas é só pra me aporrinhar, que é a função principal dela.

Você sabe que tudo vai dar certo quando sai na rua com uma pessoa vestida como a Regina Casé. E com bandana colorida no cabelo, uma coisa meio anos 80, meio Axl Rose. Não, ela não sai assim; eu saio. E ela vem comigo! Uma tarde com coelhinhos de animação encenando filmes em 30 segundos. E isso lá é coisa de se fazer no Rio? É. Eu já não aguentava mais, porque os coelhinhos insistiam em gritar a cada dois segundos. Isso tudo com pessoas ótimas, amigos do namorado dela – que na verdade é meu primo, mas que eu nunca conheceria se não fosse por ela (as pessoas, não o meu primo).

Pessoas ótimas são a especialidade dela. Assim como malucos são a minha. Uma questão de identificação, creio eu.

Samba. Sério, que diabos sou eu num samba? Quem me conhece sabe que eu nasci com dois pés esquerdos. Ela é polaca! Rá, quer enganar quem? E a gente samba que nem curitibano, mesmo que eu nem seja uma. Pelo menos eu sei a letra de vários sambas, porque eu tenho uma parte dos meus genes lá na senzala; uma pena que não é a que comanda os meus pés. Whatever. Tudo isso virou nada depois de aquelas pessoas ótimas de dois parágrafos acima resolverem fazer a “dança da galinha turbo” ou similar no meio do samba. Eu ainda sou pára-raio de lóque, você não ia achar que as pessoas ótimas eram normais…

Noite de ano novo, a gente racha um acarajé em Copacabana pouco antes da meia-noite – sobrevivendo a isso, qualquer coisa em 2008 ia ser fichinha. Praia, areia, fogos. Ela é a primeira pessoa que eu abraço e encho de beijo, como devia ser toda virada de ano até o fim da vida – e eu sei que não vai ser assim pra sempre, mas devia.

Primeiro, porque ela aprendeu a beber comigo. E esse é o tipo de aprendizado que não se tem com qualquer um, e é uma dívida que não se paga nunca. Segundo, porque eu reaprendi a levar as coisas de maneira mais calma com ela, mesmo que ela seja a pessoa mais agitada que eu conheça. Bolachinhas enquanto leio. Aprendi a comer lendo com ela, e agora meus livros vivem cheios de migalhas. Meu nutrólogo não agradece, mas eu sim.

Botecos. Metrô para moças, com visões loiras e lindas de um estrangeiro no vagão exclusivo de mulheres. Aaaaaaah, se todos fossem como ele, eu nunca pegaria um vagão exclusivo pra mulheres. E a gente chega no Pão de Açúcar, que é o lugar no mundo que mais combina com ela. É glicose, é lindo, é de rir à toa. E rir à toa é o que a gente mais faz, mesmo que eles não vendam Frutare com ipod (nem sem) na banquinha. A gente ri passando calor, ri com sede, ri bêbada, ri sóbria, ri queimando o couro cabeludo na fila, ri falando com alemães malucos atrás da gente, ri tirando fotos anos 70, ri quando vê que o dinheiro tá acabando, ri quando pega o ônibus errado, ri quando chega na praia e o sol tá encoberto. Ri comendo biscoitos Globo no Leblon ou bolinhos de bacalhau no Bar Luis, que eu nunca sei se é com “s” ou com “z”. Ri mandando mensagens pro analista – que é o mesmo das duas.

E, sem parar de rir, a gente vai à praia, toma um torrão, vai ao Cristo, toma outro torrão, chega atrasada. Fica magenta depois do banho, come muffins no aeroporto e vai sentindo dor por todo o vôo até Curitiba, com as tias da Gol sem servir suquinho por causa de uma turbulenciazinha jaguara.

É impossível, hoje, imaginar minha vida sem ela. É minha filha, e às vezes eu tenho medo de ter filhas de verdade que nem se aproximem do que eu tenho com ela.

Todos os tomates do mundo são pra ela.

A gente ri até quando chora…

  1. Simone’s avatar

    rá, vou comentar só pq é o meu texto! XD
    hohohohohohhoho

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  2. Simone’s avatar

    eu releio isso aqui e choooooooooooooro!

    nunca mais comi tomates ;'(

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