setembro 2015

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{ Velha }

“Lembra quando nós íamos a casamentos e sempre tinha umas tiazonas dançando esquisito? Nós nos tornamos essas tias”. Eu mal acabei de falar e já vi a tristeza nos olhos dela. Ela nunca vai me perdoar por isso, eu sei.

Faz tempo que eu acompanho o movimento. Começou com os caras da NET, que eu sou obrigada a ver sempre que eu me mudo de apartamento (a cada ano e meio, acho). Quando assinei o serviço pela primeira vez, com uns 19 anos, eles eram sempre mais velhos — os tios da tv a cabo. Há uns cinco anos eu percebi que eles eram mais novos que eu. Notei o mesmo fenômeno com as diaristas.

As referências e piadas que os mais novos desconhecem. Chegar no bar e perceber que todo mundo é mais novo que você.

(Quando eu tinha uns 26 anos, eu conversava com uma amiga sobre não casar e ela me perguntou “até que idade você se vê indo pra balada?”. Eu disse 40, mas não tenho tanta certeza sobre isso agora.)

Entender as consequências e se preocupar com elas. Ou, como disse outra amiga, “antes a gente falava de homem, agora fala de doença”.

Não posso dizer, portanto, que não previ tudo isso. Eu podia ver a idade caminhando em minha direção. Ela vinha mais rápido do que eu esperava pra uma senhorinha. Como quando Alice nasceu e eu quis tirar o piercing do nariz porque eu tinha que me comportar como alguém de 30 anos. Não tirei, mas nunca mais usei aquela minissaia. A gente envelhece e começa a se sentir mal por estar se divertindo, sabe?

Não pode saia curta, nem roupa justa, nem dar vexame bêbado, nem tentar sensualizar. Não pode fazer burrada nem estupidez, tem que ser madura. A diversão é controlada dentro de uma medida específica. E olha que eu só tenho 35 anos (mentira, tenho 34; outra coisa que me faz perceber a reboladinha da velhice, eu nunca mais acerto minha idade).

Então me lembro das senhorinhas franceses nos catamarãs caribenhos, de biquinis, piercings e tatuagens. E puxo pelo fiozinho da memória aquele casal de uns 50 e tantos anos numa pegação fortíssima num bar, quando eu devia ter 29 anos. Prometi ficar como eles. Prometi mesmo. Fica mais fácil quando um moço quase dez anos mais novo se interessa por você (obrigada, moço), mas não acontece sempre. Todo dia, o que tem mesmo, é aquela chapuletada de realidade, avisando que eu talvez esteja velha demais pra isso.

Velha demais. Que se dane.