novembro 2014

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{ Quase cinco }

“Casamento é um tema que me atormenta pelos mais diversos motivos.” Assim eu começava um texto que nunca acabei. Era Janeiro de 2008 e eu tava ali tentando entender porque diabos as pessoas decidem dividir o IPTU, o banheiro e a vida.

Eu conhecia você, mas estava em acelerado processo de fuga, provavelmente porque eu já imaginava que isso – eu e você – podia funcionar. E toda aquela minha alergia a relacionamentos estáveis, que me encheu de bolinhas no namoro e de dermatite no casamento. Eu fico feliz de ter te avisado que eu ia tentar destruir tudo e que, por favor, você não permitisse.

Hoje, tão tão perto de completar cinco anos casados, eu vejo que a pergunta certa não é “por que as pessoas se casam?”. É “por que elas continuam casadas?”. Às vezes eu achava isso ruim. Eu confiava que era a certeza que ia nos levar além. Era nunca perguntar se eu te amo mesmo, nem duvidar do que eu sinto por você. “Casamento é por amor”, eu diria em 2008.

Era mais fácil identificar o amor quando a gente parava os carros no semáforo às 3h da manhã e saía pra se beijar no meio da rua. Quando éramos dois estranhos achando uma ótima ideia viajar pra Cuba ou morar juntos.

Só que o casamento não é só sobre amor ou sobre nós, nem como lidamos um com o outro, mas como lidamos com nós mesmos. Se eu não tenho minhas certezas sobre a minha vida, como posso ter sobre o que fazemos juntos?

Mas eu te digo o que eu não quero.

Não quero que você seja a razão do meu viver. A razão de eu estar aqui nesse mundo sou eu, não você. E jamais me deixe ser a sua. Eu não quero que seja pra sempre, porque você sabe que eu faço tudo em cima da hora e aí já pode ser tarde demais. Eu não quero te fazer infeliz. Eu não quero ser sua cara-metade, completando você. Eu não quero ser um pedaço.

Hoje, ainda que pareça menos, eu te amo mais. Não todos os minutos, nem todos os dias. Mas, com certeza, enquanto a criança vomita e você a carrega pro banheiro, quando você me avisa que vai chegar mais cedo ou quando a gente discute sobre o porre da noite anterior. Às vezes sem motivo algum. Às vezes com todos os motivos que me fizeram escolher você pra cometer a loucura de dividir a vida. Eu sei que é amor.

É normal eu me perguntar se quero estar com você e, sempre que eu respondo sim, eu me caso de novo (ainda que eu morra de medo de casamento). Estarmos juntos é uma escolha que nós fazemos todos os dias. Obrigada por dizer sim.