julho 2013

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Conversinha

Aí tá estreando um seriado inspirado nos personagens de Psicose.

– Olha, o menino do Toast (filme que a gente viu semana passada).
– É, Toast com Psicose. Já pensou uma torrada andando com uma faca na mão?
– Aí ela entra na banheira… e se passa manteiga.
– Não, entra na banheira e se passa geleia, pra fazer a cena clássica.

E é isso, meus queridos, que os pais fazem enquanto os filhos dormem.
(ou não)

Já reparou que quando a pessoa diz “eu não queria ser chato”, ela provavelmente sabe que vai ser? O cidadão podia fingir que não pensou nada, ir até à esquina comprar uma coxinha e enfiar a ideia numa das tantas gavetinhas dentro da cabeça. Mas não. Chato.

Dito isso, começo.

Eu não queria ser chata, mas eu tenho toda uma dificuldade em entender o amor e o sofrimento profundos do torcedor de futebol. Aquele que chora copiosamente quando o time ganha, perde, manda um jogador pra Europa. Na minha cabeça, o jogador de futebol só está fazendo o trabalho dele. E, bem, isso não é mais que obrigação dele.

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Imagino o carteiro Malaquias, camisa amarela e short azul, saindo do furgão. A multidão ensandecida o persegue aos gritos: “Malaquias! Malaquias!”. Ele corre com seu pacotinho do Sedex embaixo do braço e toca a campainha. A galera viiiiiiibra!

“Atende! Atende! Atende!”. Dona Josete vai até ao portão ouvindo o “ôôô” do público a cada passo. Malaquias estende a encomenda e Dona Josete agaaaaaarra! O público enlouquece. Alguns roem as unhas, outros preferem nem olhar. O carteiro entrega a prancheta e Dona Josete assiiiiiiiiiiina o aviso de recebimento. Muitos gritos: o pacotinho está oficialmente entregue!

Malaquias se vira para voltar ao furgão. É impedido pela massa em polvorosa, comemorando o resultado. A imprensa surge.

– E então, Malaquias, como foi realizar a milésima oitava entrega de Sedex do ano?

– Ah, eu preciso agradecer primeiramente a Deus, depois ao meu supervisor, que sempre me ajudou quando eu precisava. Esse é um resultado da equipe toda. E toda essa galera aqui…

* aplausos, gritos, manifestações de amor e pedidos de casamento *

– … essa galera aqui que veio torcer por mim me deu mais forças.

Ele entra acenando e o furgão vai embora, enquanto a multidão continua comemorando.

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Eu bem queria que fosse diferente, mas quando eu vejo comemorações como as de ontem, eu só consigo pensar no carteiro. Vai, Malaquias!