março 2012

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Pergunte a qualquer criança de cinco anos se as abelhas comem mel e elas gritarão “siiim”! Para, em seguida, correr, pular e se estabacar no chão.

Eu, particularmente, nem gosto dessa coisinha doce. Mas, pega por uma tosse que pulou no meu colo e insiste em não ir embora, o mel agora faz parte do cardápio. Com limão, do jeito que minha mãe disse pra eu fazer. E foi enquanto eu misturava os ingredientes do elixir pró-pulmão que eu me questionei: as abelhas comem o mel?

Comecei uma enquete. Obviamente, excluí os seres com cinco anos de idade por sua pouca credibilidade enquanto formadores de opinião. Conversei com pessoas graduadas, que levaram o enigma a sério e formularam hipóteses para a função do mel nas colméias – mas não, ninguém respondeu serelepe, com aquela alegria que só os convictos têm.

A gente insiste em complicar.

Pergunte a uma criança de sete anos o que acontece quando um menino gosta de uma menina. Eles ficam juntos, se beijam, namoram. Essas devem ser as respostas mais prováveis. Em uma revista feminina, a mesma pergunta levará a uma enquete com moços solteiros, depoimentos de pessoas que contam como conquistaram o amor de suas vidas e um passo-a-passo de como fazer charminho e prender o gajo pra sempre.

Não pode ser tão difícil. Eu disse a ele: “não compra um apartamento não, vem morar comigo”. Ele veio.

E, sim, as abelhinhas comem mel.

 
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Texto originalmente publicado em 02/08/2008, quando este blog era hospedado no Portal RPC.