janeiro 2011

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{ Somos mães }

Quando eu tinha uns 15 anos, eu tinha certeza de que meus filhos iam nascer por cesárea. Parecia bastante absurda a hipótese de tirar uma melancia por um buraco onde só passa um limão*, quando existia a possibilidade de nem ter as dores do trabalho de parto.

O tipo de parto é um assunto tão inerente à mulher que, mesmo que você nem tenha namorado e seja virgem, provavelmente formou uma opinião a respeito. O que todos os médicos e entidades de saúde recomendam é que se tenha um parto normal. Uma das coisas mais curiosas é que eu assisto a partos normais tranquilamente: choro e acho lindo. Mas sou incapaz de assistir a cesáreas. Considero brutal, independentemente da falta de dor da mãe.

Em algum momento, eu entendi que era tudo medo e que ser mãe era um processo natural. Se o mundo tem hoje mais de seis bilhões de habitantes, isso tudo é porque dar à luz é só mais um pedaço da vida da gente – um pedaço lindo, por sinal. Mesmo que digam que a mulher moderna não tem capacidade ou força para fazer um parto, existem mulheres parindo sozinhas todos os dias.

Depois de 15 anos de discussões internas sobre o assunto, eu decidi que quero um parto natural. Sem drogas, sem substâncias químicas. Sem cortes desnecessários. Eu não quero 17 enfermeiros checando minha dilatação, nem pessoas que tenham que procurar o médico pelo hospital quando eu gritar que “tááá nasceeeendo”. Eu não quero ter um parto induzido a não ser que isso seja realmente necessário. Eu quero toda a experiência de ser mãe, com toda a dor e com toda a certeza de ser o momento mais puro e mais emocionante de toda a minha vida.

Isso não significa que essa é uma experiência egoísta, nem que eu quero ter meu filho com os lobos. Eu espero um bebê que nasça sem a influência de anestesias e outras drogas. Quero que ele venha no tempo que ele bem entender – porque deve estar tão quentinho e gostoso aqui dentro que não deve ser uma situação muito confortável ter que sair. Não se apresse, meu querido, use o tempo que for preciso; mamãe estará morrendo e gritando de dor, mas não se assuste. Saia quando puder.

As mulheres fazem isso desde que o mundo é mundo, mas ainda há quem ache que essa é uma maneira ruim. Uma mãe ama seu filho tanto ou mais que outras pessoas, e realmente não consigo imaginar porque uma mulher que decida ter um parto normal sem o uso de anestésicos colocaria a vida dele em risco. Estamos falando da dor que é a referência de todas as outras dores do mundo; acredite, ninguém faz isso só por diversão. E se não for possível, então induzimos o parto, fazemos cortes, tomamos anestesias. Não somos idiotas. Somos mães.

Cansa, além de todo o medo, ainda ter que explicar porque é que desejo um parto natural.

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* Why don’t you try squeezing something the size of a watermelon out of an opening the size of a lemon and see how hot YOU look? – Mollie, no filme Look Who´s Talking (Olha Quem Está Falando)

{ E 2011? }

Em 2011 eu vou ser mãe, escrever um livro e plantar uma árvore, pra ficar tudo no esquema pra 2012 (quando o mundo acaba, vocês sabem).

Não planejo nada além disso. Porque, você sabe: o homem planeja e Deus ri.

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Só pra não ficar sem terminar o do Meme das Antigas do MaxReinert. ;)