novembro 2010

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{ Hihihi }

Uma das minhas preferidas de sempre.

extraído de "As 80 melhores piadas do Puff", n.12, 1987

{ Em um ano }

Eu o amaria mais se o conhecesse menos. Se não soubesse do seu ódio pelas azeitonas ou do seu amor por música sertaneja. Se sua rinite não incomodasse meu sono às vezes. Se sua roupa fosse parar dentro do cesto de roupa suja, e não em cima dele.

Se eu desconhecesse todas essas pequenas coisas, meu amor seria maior. Se eu nunca soubesse quem você é de verdade, meu olhar pra você seria sempre de perfeição.

Era o que eu achava.

Mas se não dividíssemos as pequenas coisas chatas, meu querido, então você nunca seria o herói que me salva dos pesadelos que eu insisto em ter, e não haveria carinhos no cabelo até eu esquecer o pavor e dormir.

Se eu nunca encarasse esse meu medo inexplicável de casamento, você não me deixaria dormir mais um pouco e não deixaria o café na mesa. Trocar a minha vida com a sua faz com que os dias sejam mais coloridos, mais ensolarados e infinitamente mais felizes.

A certeza em saber que a aliança está no dedo certo – e que isso não muda absolutamente nada –, e que os últimos 365 dias merecem ser comemorados só para que a gente nunca se esqueça. Eu o amo porque você é capaz de me segurar e me reerguer como se isso não fosse nenhum sacrifício, ainda que seja. E porque isso é você. Sempre foi. Mas eu não saberia.

Se eu não o conhecesse tanto, eu desejaria que você sempre estivesse lá por mim, mas nunca teria a certeza de que estaria.

E eu sei. Você está.

Amo. Sempre.

foto: www.meliess.com

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Mas você podia gostar de azeitona, né? ;)

{ Pequenas promessas }

Entre tantas letras, achei minha lista de desejos pra 2006. Parece justo.
(e Novembro, pra mim, já é mesmo fim do ano…)

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“Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia?”. Todo dezembro me vem essa música à cabeça. Não sei se é por causa daquele clima de balanço de final de ano, ou se porque faço aniversário daqui a dois dias.

O fato é que minha lista de resoluções para o Ano Novo, que eu começo a montar nesse período do ano, sempre é baseada no que eu faria se só me restasse esse dia. Aquela sensação de poder aproveitar cada minuto. De “que se dane o que vão dizer os outros”.

Conta só o que eu quero fazer. Não importa como, nem se tem como alcançar. O importante é criar a lista. Ano passado eu a fiz mentalmente, e como me arrependo. Pequenas coisas se perderam no meio do ano, tenho certeza.

Por pouco não se foram os dias no parque e os amigos. Os bons filmes, as boas músicas. As noites tentando contar estrelas. Quase desapareceram as risadas, as lágrimas ao gargalhar, as piadas e os dias que valeram à pena. E por um triz não sumiram os inícios e os finais de tantas coisas que deveriam ser importantes.

As coisas pequenas que a gente deseja e realiza. Mas que, ao chegar dezembro, parecem nunca ter acontecido. O doce de abóbora da mãe. Aprender um passo de dança – mesmo que seja um só. Aquele beijo. Quase se perdem, mas não nesse ano. Nem no ano que vem.

Porque, para 2006, quero livros, cds e dvds. Cinema, peças de teatro, passeios no parque. Tempo e um pouco de dinheiro, nem que for só para ir para longe daqui, só para olhar a lua. Quero estar lá para os meus amigos quando eles precisarem. E oferecer minha casa para que as pessoas façam de refúgio quando tudo der errado.

No ano que vem – e que o mundo não acabe no dia seguinte –, quero acordar e ficar deitada na cama, olhando o céu. Comprar um pé de pato e uma máscara de mergulho para andar pela casa. Quero cozinhar mais, para mim e para os outros. Viajar mais. Quero carinho aos montes, para reparar o tanto que me machuquei nesse ano. Quero um colo, um beijo, um afago.

E se só me restasse esse dia, ainda assim eu acabaria de escrever esse texto. Depois iria para o litoral, só para ver o mar por uns 15 minutos e molhar o pé na água. Faria tudo o que eu não tive coragem até hoje. Dizer que amo. Pedir para que não me esquecessem. Pedir desculpas. Pedir um beijo.

Deixaria as lágrimas escorrerem na frente de todo mundo, para verem que eu não sou forte o tempo todo. E riria sozinha, para me lembrar que tudo valeu a pena. Ia me entupir de chocolate e sorvete. No fim do dia, ia tomar uma cerveja, para acabar zuzo bem. E essa sempre é uma boa lista para o Ano Novo.

Se no meu aniversário eu posso fazer o pedido que eu quiser, desejo ter vários últimos dias – para conhecer a intensidade de cada pequena coisa. Quero recobrar a fé que eu perdi. Gostar de alguém que valha a pena. Mais dias azuis, mais noites estreladas. Menos barulho, menos medo. Uma rede. Um gramado.

“Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia?”. Eu me faria feliz. E essa é uma promessa que eu pretendo tentar cumprir sempre.

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Publicado originalmente no jornal Hora H, de Curitiba, em 7/12/2005.