setembro 2010

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{ Todo o meu obrigada }

Eu tinha muito tempo livre. Um dia, cheguei pra trabalhar e não existia empresa. O dono sendo procurado por estelionato e, bom, eu não tinha emprego. Eu tinha passado no vestibular pra começar a segunda faculdade, mas as aulas ainda iam levar um mês pra começar. Eu só não queria ficar maluca.

Pouco mais de um ano depois, eu comecei a terapia – e tudo era uma tentativa de entender esse emaranhado dentro da minha cabeça. O que é que eu tou fazendo aqui?  Foram quatro anos; talvez os mais doídos. Mas ninguém nunca aprendeu nada sendo feliz.

Durante esse tempo, me convidaram para publicar um texto num jornal literário. Escrito e publicado, eu me sentia o Paulo Coelho do jornal. Um monte de textos geniais, com estilos de escrita únicos. Cheguei chateada.

– Todo mundo falando chique de coisa importante e eu falando da dona de casa que cospe catarro escondido no café com leite do marido.

E ele me disse que as coisas têm o valor que a gente dá. Que, às vezes, é bacana ser o quadrinho engraçadinho no meio daquela desgraceira do jornal diário. O texto bobo de amor pode arrancar o sorrisinho de canto de boca do menino apaixonado. E é isso que eu sinto aqui.

Quando uma menina comentou que estava casada há seis meses e que eu tinha escrito tudo o que ela queria dizer mas nunca conseguiu, eu entendi plenamente. E nem que fosse só ela, eu acho que valeu a pena.

Obrigada por todas as vezes que vocês dizem “eu queria ter escrito esse texto”. Por todos os sorrisos, por todos os comentários, por simplesmente estarem aqui.

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Todos esses agradecimentos vêm porque o blog vai virar livro. Muitíssimo obrigada por serem os melhores leitores que eu poderia ter.

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E como a filosofia de frases de caminhão nos ensina: se chiar resolvesse, sal de fruta não morria afogado. Algumas pessoas curtiram muito o resultado, outras odiaram completamente (eu também odeio quando outro ganha a Mega-sena acumulada).

Se coerência fosse o forte desse mundo, meu bem, jaca não nascia em árvore.

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{ 96 calorias }

Peço um café e um brigadeiro. As pessoas em volta olham. Cochicham.

Ser gordo no Rio de Janeiro sarado e malhado é pedir para ser cuspido na rua. Ser gordo e audacioso a ponto de pedir um doce na frente de todo mundo é pedir para ser cuspido e chutado. E não faz diferença se você precisa perder cinco ou cinquenta quilos. Você é gordo.

E não sei se te contaram, mas cada vez que um gordo come um brigadeiro, morre uma fadinha. E não importa que ele não coma há três dias. Não importa que o doce esteja previsto na dieta. Não faz absolutamente a menor diferença se o gordo acordou com vontade.

É o que eles querem que você pense. E você pensa.

Fiz minha primeira dieta aos 14 anos. Deixei de comer comida e passei a comer calorias – ou não-calorias, como as dos refrigerantes diet que eu tomava compulsivamente. Depois disso, já comi pontos, bolinhas, porções. E continuo na saga. Para todo o sempre. Cansa, sabe?

Tomo meu café e como meu brigadeiro. Uma menina comendo salada me encarou sem parar por uns três minutos. De verdade.

Gordos e fumantes, os maiores criminosos do século XXI.

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Sempre que eu assisto a essa propaganda do Subway, eu sinto a babaquice se espalhando pelo universo. Se sua namorada termina com você por causa da sua barriga, ela provavelmente coloca veneno na sua comida pra ficar com a sua fortuna. É o tipo da coisa que não compensa.

{ Oi, eu te amo! }

Esses dias, lendo Bukowski: “como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse?”.

Quando eu morava no interior, eu costumava brincar de bem-me-quer com aquela florzinha chamada maria sem-vergonha (reza a lenda que o nome é esse porque ela dá em qualquer lugar, mas isso não vem ao caso). A dita plantinha era uma ótima escolha para a brincadeira, porque tinha cinco pétalas e sempre dava bem-me-quer.

Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer! Rá!

A gente se acostuma a essas coisas. E acha que se o moço quer bem a gente hoje, também vai querer amanhã. E depois de amanhã. E pra sempre. Eu achava que isso devia ser bom, mas, hoje, “pra sempre” me assusta muito, muito, mas muito mesmo.

Meda-pânica-horrora.

Eu aprendi que amor dura pro resto da vida – quiçá da morte – e o resto é balela. O que quer dizer que não vai dar pra te amar hoje e amanhã já não estar bem certa disso.

Foi assim que o dilema começou.

Eu fitando os olhinhos castanhos mais verdes do mundo. Aquele par de olhos que me faz sorrir mesmo quando eu estou chorando. E lá dentro da minha cabeça vem aquela voz maldita: “é, minha filha, cê tá ferrada… cê ama esse rapaz aí”. Lascou-se: digo ou não digo?

E se amanhã eu não amo mais? E se amanhã eu conheço um dos dez mil que eu amaria mais se conhecesse? Pior, e se eu digo que amo e ele não diz nada?

Devia ser tão simples. É só amor. Só um bem-me-quer na flor dele. Pouco importa se amanhã a flor vai mudar de resposta.

Válido só pra hoje: oi, eu te amo!

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Texto originalmente publicado em 24/06/2008, quando este blog era hospedado no Portal RPC.

{ E diversão! }

Agência bancária é a mais livre expressão da vida em comunidade. Todos os tipos, todos os contra-cheques, todas as idades se encontram nesse enorme playground financeiro. Praticamente Hopi Hari em dia das crianças. Para passar o tempo, sugerimos uma atividade lúdica para relaxar adultos, entreter pimpolhos e envergonhar mães: o Bingo do Banco!

Passo a passo

Cada participante montará sua cartela segundo o grau de dificuldade desejado: no nível “É baba!”, as cartelas terão nove itens comumente encontrados em agências bancárias. No “Meia boca”, esse número sobe para 16. Senhorinhas de cabelos roxos pagando 17 faturas, irritadinhos esbravejando e terminais em manutenção são sugestões para essas categorias do jogo.

AVISO: Se auto-controle não é sua maior virtude, sugerimos optar por uma dessas modalidades acima, visto que as mais complexas podem intensificar a frustração da fila bancária e resultar em prisão e/ou morte iminente(s).

Aumentando o grau de dificuldade:  cada cartela será composta por nove itens (nível “PQP”) ou 16 (nível “Al Qaeda”) raramente vistos em banco. Todos os caixas funcionando, ausência de crianças ranhentas e Larissa Riquelme/Rodrigo Lombardi, por exemplo, podem ser escolhidos para essas modalidades.

Ganha quem encontrar todos os itens, completando a cartela antes dos outros. Divirta-se!

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Como eu vou sozinha ao banco, jogo a versão autista – sozinha e mentalmente. Só não posso gritar “bingo!” pra não ser atingida por bengalas de velhinhas que não sabem perder.