setembro 2009

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{ Mulherzinha }

A mulher resolveu que devia ser independente. Trabalhar, ganhar seu dinheiro, ir pro bar, tomar anticoncepcional, dormir com passantes, essas coisas. Mas não fazia idéia do tamanho da confusão que isso ia criar. De modo geral, mesmo trabalhando fora, a mulher não pôde abandonar o papel de responsável pela casa – e mesmo que tenha uma diarista ou afins, quando a casa cai a culpa é dela. Não pôde deixar de ser a principal responsável pelos filhos, mesmo que os homens ajudem. E, mesmo que tenha conseguido achar uma diarista ótima e um pai perfeito, ela se culpa por não fazer todas essas coisas sozinha e bem, porque um dia, lá nos primórdios, disseram que ela devia ter um marido e cuidar direitinho dele e das crianças. Motivo da infelicidade: culpa.

Quando a mulher decidiu se “libertar”, não sabia que teria que criar seu próprio modelo. Ela vai ser diferente da mãe, da avó, da bisavó. Ser independente é completamente masculino, então, o que fazer? Pegou o homem como modelo. E, ao invés de copiar só o que é bom, copiou tudo. Decidiu ser canalha como o cara que não liga no dia seguinte, só pra não sofrer. Sofrer é coisa de mulherzinha, não se esqueça. A mulher que não sente culpa por abstrair dos assuntos domésticos provavelmente está nesse grupo. Motivo da infelicidade: meninas e meninos são diferentes – e essa história de “todo mundo é igual” é conversa de ativista gay.

Meu ponto de vista é que a mulher não sabe pra onde ir. Não é feliz sendo masculina, não é feliz sendo feminina. Sim, porque ai da moça que hoje chegar em casa e disser “a partir de hoje eu vou ser do lar”. Os amigos ficam horrorizados, o marido desconfia e, bem, a mulher sente culpa por não trabalhar fora e ser independente. Pra não me ater só às mulheres, os homens também não sabem como lidar com essa nova mulher. Mas acho que eles se sentem menos pesados ao saber que não são os únicos provedores da casa. A mulher aumentou a carga de responsabilidade dela e aliviou a masculina.

Mulher não é feliz só tendo sucesso na vida profissional, não é feliz só sendo uma perfeita dona de casa e, quando tem as duas atividades, a probabilidade de ter um nível de satisfação razoável nas duas é quase nula, porque, ainda por cima, homo sapiens fêmea invocou de ser detalhista e perfeccionista.

Esse negócio de liberação feminina até pode ser coisa de gente inteligente. Mas, ah, a ignorância é uma benção.