outubro 2005

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A cor dos olhos, o formato dos cabelos, o tamanho dos seios. Tudo isso não depende de uma escolha sua – ou não dependia, até que se criou a tal ditadura da beleza e da indústria do ser humano perfeito. Agora, o que Deus te deu quando você nasceu e sua carga genética pouco importam para o seu resultado estético final.

Sempre dá pra botar um silicone aqui, colorir as madeixas, botar uma lente de contato. Malhar horas na academia. E corrigir o nariz, preencher os lábios, fazer dieta, puf puf. Se você decidir, pode ser outra pessoa – pelo menos fisicamente.

Tudo depende, basicamente, de escolhas. Assim como o que fazer quando crescer. Ou com quem casar. Isso é, se você realmente quiser se casar. Ou o que comer no almoço, ou mesmo se vai se barbear ou sucumbir à preguiça. Dá pra controlar o riso. Ou o choro.

São decisões demais, algumas tomadas sem nem pensar a respeito. A gente se acostuma mal e começa a achar que dá pra escolher tudo. Mas alguma coisas simplesmente não dá pra parar em frente ao menu, mudar as flechinhas e apertar o enter, dá?

Se a sua genética lhe der toda a tendência a infartar ou a ter um câncer, o máximo que você pode fazer é escolher se cuidar. E se isso não bastar? Hum, aí você descobre que a sua vida não é tão sua quanto você imaginava. Que você pode escolher se vai ter peito ou não, mas não pode escolher se vai morrer de câncer aos 35 ou dormindo, tranquila, aos 98 – mas sabe que estará usando um sutiã 46.

Assim parece simples: a existência está dividida entre as coisas que você decide e as que não pode controlar. E ponto. Ou ponto e vírgula: me atormentam as coisas que eu não sei se são ou não passíveis de escolhas.

Dá pra deixar de gostar de alguém?

Não sei, mas eu queria!