julho 2005

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As luzes desfocadas. De várias cores, mas a maioria amarelas, vermelhas e brancas. Logo descontraía o músculo dos olhos e eles voltavam a ficar em posição normal. O bruxulear das luzes parava, voltando a ser somente o que eram: faróis de carros, postes e estrelas.

Era assim que ela se divertia quando criança. Brincava de não ver o mundo real, com cores reais e acontecimentos reais. Tudo isso era chato demais. Então ela movia os olhos e perdia o foco das imagens que via. E, em meio às luzes desfocadas, podia ser o que ela quisesse. Astronauta concentrado num ataque intergaláctico, cantora num cabaré, turista passeando em Tóquio.

Só que ela cresceu. E continuou a achar o mundo sem graça. Então, quando tudo dá errado, ela muda tudo o que vê. Às vezes esquece de voltar para a vida real. Continua achando que o cara com quem sonha quer alguma coisa a mais com ela, além de algumas noites divertidas. Acredita que ele pode finalmente descobrir que ela é a mulher perfeita para ele.

Lá no fundo, ela sabe que nada disso é verdade. Ah, mas como queria que fosse. Então continua a desfocar o que vê e a enxergar um mundo repleto de imagens que dançam ao som da música que toca no rádio do carro.

*trecho da música “tá bom”, do los hermanos

Talvez seja hora de crescer…

{ Eu existo }

Faz dois anos que esse blog existe. Faz dois anos que eu escrevo aqui, embora nos últimos meses com uma periodicidade meio a desejar. Mas tudo bem, isso não vem ao caso agora. O que vem ao caso nesse momento é que eu, que sempre assinei Lady Erinyes, passo a ter um nome. E uma cara. E uma página no Orkut. E essas coisas todas que as pessoas têm.

Isso provavelmente dê fim num pedaço da magia. Talvez não seja tão divertido ser só eu. Mas juro que vou tentar.

Aliás, já que esse é o momento de promessas, prometo atualizar com mais freqüência (hum, acho que já prometi isso antes). Mas dessa vez eu tenho um bom motivo. Agora eu escrevo num meio impresso, que as pessoas poderão ler daqui a 130 anos se o jornal não derreter e as traças não comerem. E isso me dá medo, mas existem coisas que simplesmente precisam ser feitas.

Agora eu tenho um nome: Letícia Junqueira. E, a quem interessar possa, e a quem ache o jornal pra comprar, toda terça-feira no Hora H, de Curitiba.

Textos novos e (relativamente) decentes em breve. Eu juro que sim.

Que tal vocês existirem também e dizerem “oi”?