março 2005

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{ Mulher no volante }

“Isso, vem… vem… não, mais pra cá! Agora esterça!”

Não adianta. Vez ou outra gente acaba tendo que avisar o coração que logo ali atrás tem um passante. Ou que tá quase encostando no outro estacionado atrás.

E aí a gente fica como quem faz baliza em carro mil sem direção hidráulica. Suador danado. Ainda mais com gente olhando (eu fico tensa com gente me olhando).

Pior é quando se tem pressa: de entrar na vaga ou de deixá-la. Invariavelmente algum detalhezinho vai passar despercebido e – poft! – um pedaço do coração se estrepa. Então a gente liga pra mãe, chama o seguro, grita o melhor amigo. Depois de tudo consertado, fica aquele medo de tentar entrar numa vaga de novo – ou de ter que sair dela.

E a gente se transforma numa espécie de flanelinha de sentimento. Mas, como todo mundo sabe, flanelinha mais atrapalha que ajuda; e sentimento é coisa que não se pode manobrar (se a maioria das mulheres não têm lá muita intimidade com carros, que dizer de algo completamente abstrato?).

Só resta torcer pra achar uma vaga bacana. E botar o cinto de segurança.

Não dirijo muito bem, mas gosto de saber pra onde vou…