janeiro 2005

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Houve um tempo em que os homens anotavam suas conquistas em agendas telefônicas. Quanto mais telefones, mais moçoilas arrebatadas. Sim, sim, todo mundo se lembra da tal história do “caderninho”, em que figuravam as moças e seus atributos, algumas com nota e informações extras – dependendo do capricho do canalha. A verdade é que não sei se essa tal história era só lenda ou se realmente existiam esses tipos (esses que anotavam, porque os canalhas é fácil notar que povoam o mundo).

Até o Gabriel, aquele dito “o pensador”, tratou sobre o assunto em uma de suas músicas. Lembra? “É o seu velho caderninho de telefone, com o nome e o número de um monte de mulhé. E ele vai ligar pra todas até conseguir chamar uma gata pra sair e dar um rolé. 2345Meia78”! Não que sirva como referência intelectual, mas apenas comprova que eu não delirei quando resolvi falar sobre o assunto.

Pois bem, eis que o mundo tecnológico vislumbra uma nova possibilidade para os marmanjos: o orkut. Que esse era meio de busca e caça, eu já sabia. Mas não tinha percebido, trancafiada em minha personalidade feminina, que os rapazes usassem o orkut como meio de reencontrar as mocinhas que amealharam em suas conquistas noturnas (ou diurnas, por que não?). Prático, o dito cujo encontra uma senhorita, pede o nome completo da donzela, encontra-a na internet e pronto! Basta deixar um recadinho quando resolver que a segunda-feira chuvosa vai ser melhor se ele estiver acompanhado!

O orkut substitui os caderninhos de telefone com algumas vantagens. Já vem com fotos, o que agiliza o processo de memória e permite um acompanhamento do estado físico atual da moça. Além de saber se “embarangaram”, o canalha já sabe de quebra se elas casaram, tiveram filhos ou qualquer coisa do tipo. Mais que isso, ele vê quem é amiga dela – e descobre se existe alguém para quem pode “ser apresentado” caso a presa não interesse mais. E assim vai.

Mas nem tudo são flores. Em especial porque, se as mulheres não vislumbraram o potencial do orkut enquanto meio de caça e de armazenamento de dados sobre o sexo oposto, notaram uma coisa que elas amam, especialmente no que diz respeito ao homem com quem elas saem: vasculhar a vida alheia.

Nesse ramo, como bem diz uma das comunidades do orkut, “scraps são perigosos”. E as mulheres adoram isso. As neuróticas fuçam com afinco e descobrem o que podem sobre o moço que diz que elas são a única – inclusive que não são a única. Ou que ele tem namorada. Ou que ele cantou umas três na mesma noite em que ele disse ter esperado só por ela. Ou que ele não passa de um canalha.

É o orkut revolucionando o mundo sentimental! E pensar que eu demorei a entender a graça disso…

E no fim das contas, pra que serve o Orkut?