novembro 2004

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Agora. Já. Esse imediatismo que fazia com que ela estragasse tudo sempre. A paciência é uma virtude – que ela definitivamente não possuía. É como se tudo o que existisse fosse se esgotar em seguida – e era preciso fazer tudo agora. Não importa o quê, mas tinha que ser já.

Instintiva, sempre fez tudo o que deu vontade. Frustrada, porque o mundo rodava mais devagar do que ela precisava. Doída, porque havia tanto o que rodar e algo a prendia ali. E, como disseram pra ela*, esse nada que nos prende é que é tão difícil de deixar…

Ela queria, mas tinha que ser nesse instante. Saber que as coisas aconteciam a uma velocidade menor que a desejada a consumia. Até que ela resolveu olhar pra cima. Depois de tanto tempo, ela voltou a andar olhando as nuvens.

E lembrou que algumas coisas acontecem e outras não. E que amanhã tudo pode estar diferente. E que hoje a cama é toda dela, mas amanhã pode não ser. Tipo filosofia barata mesmo. Devia ter exagerado no álcool. Ou talvez fosse falta dele. Melhor mais um pouco de vodca no café.

Agora ela olhava as nuvens. As brancas, porque as cinzas foram embora. Depois de tanto tempo. Era um ciclo mau que se encerrava, e justo no inferno astral dela. Incoerência das maiores.

Agora o tempo era todo dela. Todinho, da primeira hora do dia até a hora de dormir. Até depois de dormir. Sem ninguém por quem o mundo devesse acelerar.

Tranqüila, agora ela podia fazer o que quiser. A vida era só dela de novo. No tempo em que ela quisesse. Na velocidade em que ela precisasse. Porque a felicidade dela não podia depender de ninguém.

E nem vai.

Só o que ela quer pra agora é ser feliz de novo. E isso ela já conseguiu.

*Quem disse isso pra ela foi um cara bem bacana, muito inteligente, com textos ótimos. Quem quiser encontrá-lo: http://www.terceirocaderno.blogger.com.br/

:)