outubro 2004

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Mora um besouro dentro do meu rádio. Eu não sei onde ele está, mas sei que ele existe. Porque quando é madrugada e eu ligo o som bem baixinho, ele fala comigo. Zzzzzzz.

E aí, tentar escrever ouvindo o acústico do Robertão é tarefa complicada. Não, o besouro do rádio não torra. Fode é quando tem um besouro morando dentro de mim. Porque para o bicho do rádio há de haver solução – mesmo que ninguém tenha achado ainda. Ou eu jogo a porcaria contra a parede e resolvo o problema.

Incomoda mais o besouro interno. Aquele que diz o que eu não quero ouvir quando eu só quero ouvir a música, que cutuca quando tudo parece tão bem, que teima em dizer que tá tudo errado quando tudo fica bem certinho. Enche o saco a porra do besouro que insiste em sussurrar que tudo tem que ser diferente.

E quando me irrito com o zzzzzzz do rádio eu desligo e fica tudo em ordem – com o rádio. O besouro que mora aqui dentro não desliga, mesmo quando durmo. É impossível. Ele vem voando e – ploft – bate contra o vidro de carro, me obrigando a mudar de caminho e encontrar com quem eu não quero. Chiado no sonho.

O analista tenta dar umas chineladas nele. Eu apaguei a luz esperando que ele saísse pra procurar outra fonte luminosa.

Ele insiste. Zzzzzz.

PS: esse texto definitivamente não me reflete hoje. Mas vai esse mesmo, escrito há um mês, só pra não ficar muito tempo sem postar…

zzzzzzz…

{ o que eu quero }

tem tanta coisa que eu quero e não sei o que é. tem o que eu sei que eu quero, mas parece tão difícil, mesmo quando não é.

eu quero uma tarde no parque, uma garrafa de vinho, uma toalha xadrez pra deitar em cima. um pé de pato pra andar pela casa quando tudo der errado, uma mesa de jantar e uma cortina pra sala. adsl de novo.

uma companhia agradável full time, ninguém me dizendo o que deve ser feito, alguém pra me dizer o que fazer, olhos pra fitar de manhã, café na cama com suco de laranja que nem propaganda de margarina.

eu quero fazer só o que eu efetivamente quero, sem pensar se os outros vão gostar ou não. quero levar em conta só o que eu quero fazer, num comportamento egoísta que minha educação cristã me impede de seguir. e eu quero falar o que quiser, mesmo que ninguém me entenda.

também quero que finalmente os seres divergentes que habitam esse meu corpo se entendam, porque eu não tenho mais saco pra ficar apartando briga. quero só poder deitar de barriga pra cima na grama, olhando as nuvens.

um copo de conhaque, um afago na cabeça, um colo de mãe, um cachorro bem grande, um prato de sopa de mandioca, uma noite bem estrelada.

e pode ser que daqui a cinco minutos eu queira exatamente o contrário. e aí, eu quero poder querer tudo diferente.

e ponto final.