julho 2004

You are currently browsing the monthly archive for julho 2004.

{ Not yet }

Me deixa dormir. Só mais cinco minutinhos. Só mais uma hora. Talvez mais cinco horas, ou cinco dias.

Mesmo que tudo esteja tão bem, mesmo que tudo esteja tão em ordem, existe alguma coisa dentro dela que a lembra que a mochila que ela carrega está ficando pesada demais. E quando faltarem ombros ela não poderá pedir que a ajudem.

E não dá pra simplesmente largar tudo e sair correndo com os braços abertos. Não dá pra esquecer de tudo. O livro na estante continuará sempre com a dedicatória que ela escreveu, com o cuidado de não revelar tudo o que era capaz de sentir.

E ele pode arrancar a página pra evitá-la se quiser. Ele pode se perder com todas as outras mulheres – não pra esquecê-la (até porque isso nunca foi preciso). Ele pode se embrenhar nas tramas mais desconexas pra ser feliz e não precisar encarar os olhos dela nunca mais – aqueles olhos grandes e sempre tão brilhantes. Nunca mais.

Mas ela não. Ela tem que carregar a mochila, cada vez mais pesada. Ela precisa escolher o que tirar dela. E ela não queria desistir das lembranças, que são a única coisa que restou.

Uma hora ela terá que parar e tirar todo aquele entulho. Mas não agora. Agora a mochila é pesada, mas ela quer acreditar que é forte o bastante pra carregá-la.

às vezes, viver se torna um fardo pesado demais pra carregar…

{ Cadê a graça? }

O Orkut está na moda. Mas não sei nem como defini-lo. Basicamente um lugar na internet onde você mostra sua rede de amigos, vê os amigos dos outros, conhece umas pessoas e faz parte de grupos que discutem os mais variados temas, desde o fato do chocolate branco não ser chocolate até à extinção do mico-leão dourado e a situação no Iraque.

(pra ser sincera, nunca vi nenhum grupo que discuta os dois últimos assuntos, mas há de haver.)

Eu estou no Orkut, até participo de alguns grupos e tal, mas juro que ainda não peguei o espírito da coisa. Afinal, tou pouco me fodendo se o cachorro de Fulano foi atropelado quando ele tinha 5 anos ou se a Peposa era o sonho de consumo de Sicrana!

Claro, hão de dizer que a culpa é minha se faço parte de uma comunidade chamada “Traumas de Infância”. Tá, isso lá é verdade. Mas também pouco me importa a opinião de um ou outro desconhecido sobre qualquer tema aleatório que provavelmente não me diz respeito!

Sem falar que recebo várias mensagens de pessoas que não conheço e não passam de forwards! Ou seja, insatisfeita em lotar caixas postais com correntes sem graça e spams mil, a humanidade resolveu adotar uma nova maneira de enviar e receber lixo na internet!

Argh!

Tou ficando ranzinza.

Me empresta um Prozac?

Qual é, exatamente, a diferença entre dar uma explicação e dar uma desculpa qualquer?

Explicar… complicado. Talvez seja, basicamente, que a explicação é a verdade, e a desculpa é fruto de um processo imaginativo, desencadeado por uma situação de pressão, desenvolvido no cérebro do ser humano – muito provavelmente em apuros.

“Cheguei atrasado porque o ônibus quebrou”. Puá, desculpa. “Eu tentei te ligar, mas ninguém atendeu”, com as variáveis “mas estava ocupado”, “mas me disseram que você não estava!”, acompanhado de um impiedoso “não te deram meu recado?”. Rá, é blefe. Qualquer coisa que você diga para tentar se explicar invariavelmente adquire o caráter de desculpa. Pior: desculpa barata, esfarrapada, troncha, deslavada, “essa é velha!”.

Mesmo que realmente sua história seja verdade, a possibilidade de alguém acreditar em você, deixe ver, ahm… bem… hum… é zero.

O segredo é ter esperança. Sempre acreditar que vão acreditar em você. Dar explicações, mesmo que os outros não acreditem nelas, é prova de que você tem um mínimo de consideração com o próximo.

(Aproveito-me deste momento de reflexão para explicar o motivo de minha ausência tão prolongada. De folga no meu trabalho habitual, costumeiramente noturno, aproveitei para trabalhar durante o dia – preciso juntar grana ou Cuba não verá minha cara ano que vem!

Local de trabalho: região metropolitana de Curitiba.

Tempo gasto com transporte: 1h25min pra ir, mais 1h25min pra voltar. Total do dia, 2h50min.

Jornada de trabalho: 8h40min mais uma hora de almoço, de segunda a sexta.

Isso significa que saio de casa às 6h30 e volto quase às 20h! Sem internet em casa! Sem internet no trabalho! Aaaaaaaargh! Por isso a dificuldade para postar. Aceito doações de modems!)

Mas cuidado! Desculpas bizarras podem surtir um efeito devastador no relacionamento interpessoal!

“Ahn, não posso sair hoje porque preciso ajudar minha prima a relaxar os pequenos músculos do couro cabeludo” não vai cair bem. Ver o neném da vizinha da manicure, ajudar a bisavó a colocar bobs no cabelo e organizar uma competição de cuspe não são motivos bons o suficiente para serem tema central de uma desculpa.

E se não acreditarem nas suas explicações – mesmo que verdadeiras – sempre dá pra pedir desculpa.

Desculpa!

Escrito em 13/07, na hora do almoço . Quero ver é postar!

Tá ruim mas tá bom!