abril 2004

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Histórias mirabolantes sobre a burrice feminina, porque toda mulher um dia faz alguma coisa (bem) idiota (mas muito idiota mesmo!) por causa de homem…

Algum dia de janeiro de 2000. Eu passava as férias na casa da minha mãe, no cafundó do interior do Paraná (eu estudava em Curitiba). O namorado andava estranho desde a minha chegada e eu, como ótima advogada que poderia ter sido, anotei durante uma semana o tempo que ele ficou comigo. Total de 1h42min. Quase duas horas. Em uma semana toda. Aí tinha coisa.

Lá fui eu fuçar na agenda eletrônica do bicho. “Quem é esse? E essa? E aquela?”, até ouvir um gaguejar.

–”Ahm… essa é… hum… amiga daquela…”

Rá, básico que eu decorei o telefone. Dessa e daquela.

Lição para os homens: não gagueje nunca, ela sempre vai notar.

Ato 1:

Uma madrugada, liguei pro namorado e deu ocupado. Mais ou menos duas da manhã. Liguei pra mocinha e – surpresa! – ocupado também. Até podia ser coincidência, mas eu sabia que não era. Saí de casa sem avisar pai nem mãe. Chamei um táxi, cheguei no prédio do rapaz, inventei uma história pro porteiro e entrei no apartamento sem bater. Claro que ele estava no telefone com ela. Peguei a extensão e soltei um “quem desliga primeiro, você ou ela?”.

Imagino o susto dos dois com a voz do além no telefone, até ele me enxergar no corredor e tomar um susto ainda maior. E ele desligou, claro.

A sina passou a ser, então, ligar pra moçoila a noite toda, até às 3h da manhã, pra só então tentar dormir (deviam adorar isso na casa dela!).

Ato 2:

Um dia veio a coragem: liguei na casa da moça, uma história triste e a mãe dela me deu o telefone de onde ela trabalhava. E a surpresa: a moça era atendente no xerox que funcionava ao lado do prédio dele. Homens e palhaços, qual a diferença?

Decidi que era hora de os três nos encontrarmos. Sabe Deus como, em 15 minutos estávamos no xerox eu, uma amiga, ele e um amigo – e a mocinha, claro. Como eu não sou burra nem nada, entrei bem longe dele. E vi a menina se debruçar no balcão e perguntar “onde você estava ontem à noite? Te liguei a noite inteira!”. Eu tava pronta pra fazer o namorado engolir o papel que eu ia mandar copiar, mas fiquei na minha. E a conversa que se passou, com ela quase o beijando, foi assim:

– onde você estava ontem à noite? Te liguei a noite inteira!

– ahn… não sei… Ricardo (o amigo dele), você sabe onde eu estava ontem? Ahn, não sei onde eu tava não…

O filho da puta tava na minha casa!

Ato 3:

Durante o sono dos justos, eu sonho com uma carta embaixo da última gaveta do guarda-roupa do namorado. Uma carta de amor – e não era minha, apesar de eu morar a 600 km de distância dele.

Eu quase contei pra ele minha preocupação. Afinal, sonho ruim é sonho ruim. Mas como a situação estava estranha e eu sempre tive uns sonhos premonitórios, decidi não contar e verificar o que havia no limbo da última gaveta do guarda-roupa do gajo. E… surpresa (ou não)! A maldita carta existia e eu lia, linha por linha, enquanto ele estava no banho. Achei várias outras coisas também, fotos, cartões e o diabo empalhado.

Porra, pro além me mandar sinais, eu devia estar tão chifruda que se chovesse argola não cairia uma no chão.

Ato 4:

Ainda a moça do xerox. Precisava de informações. Falsifiquei rubricas do namorado em partituras (o cara era músico) e mandei uma amiga com cara de séria (mãe, casada, beirando os 40) pra fazer cópias com a mocinha. Na hora, ela pede uma borracha pra apagar os escritos e vai reclamando dele “que rabiscou todas as partituras!”. O suficiente pra engatarem uma conversa, e a guria dizer que o conhecia e que ele já tinha ido na casa dela várias vezes (e várias outras coisas que ele havia negado…).

Prova de que não é só homem que tem mania de contar vantagem.

5º e último ato:

O lazarento insiste em gastar as madrugadas falando ao telefone com a moça do xerox. Ligo aos prantos para a minha amiga com cara de séria, que me leva até a casa dele. São 3h da manhã. Driblo o porteiro, mas dessa vez não consigo entrar no apartamento. Toco a campainha, a mãe dele atende. Sim, a mãe dele atende, às 3 da manhã! Argh!

De novo, ele nega tudo. Inventa uma história e eu deixo o recado: “se eu descobrir a verdade você não precisa olhar na minha cara nunca mais”. Ele concorda.

No outro dia, consigo uma confissão do amigo com quem ele disse estar no telefone dizendo que eles não se falavam há não sei quanto tempo. E, ela, que tinha disfarçado tudo na noite anterior (a pedido dele, claro), confirmou a história quando eu liguei e passei um papinho furado nela.

E o namoro com o cara que eu pensava ser o homem da minha vida terminou.

Moral da história:

Quer chifrar? Então faça bem feito, puta que pariu!

PS: essa é uma história real, que espero que não se repita nunca. A publicação da mesma aqui, embora resumidíssima, é uma espécie de exorcismo final.

PPS: no que não resulta uma mulher idiota com um homem cachorro…

PPPS: botei o piercing no nariz.

Eu faço merda, mas aprendo!

Sempre gostei de piercings e tatuagens. Simples assim. Mas sabe como é, jornalista e blablablá, tem que ter uma cara confiável (aliás, quem disse que tatuado é sempre porra louca??) e eu resumi a vontade em três tatuagens e um piercing no umbigo.

E, no fim do ano passado, fui pra praia com o namorado e a família (dele). Até que a sobrinha do dito cujo, no alto de seus oito anos, anuncia que quando for grande vai ter uma porção de piercings e tatuagens. Foi o início do fim. A avó da mocinha (vulgo minha sogra) horrorizada, “onde já se viu?”, “pra que isso?”, biriri bororó. A mãe da pequena tentando dissuadi-la, o pai dizendo que era um absurdo. E eu, com as minhas tatuagens, ouvindo a discussão familiar no meio da sala…

E nada disso seria tão mal se a sobrinha não soltasse um “por que não? A Lady Erinyes tem!”.

Puta merda.

Eu tenho tatuagens, eu sou levemente doida, eu saio, eu encho a cara, eu faço coisas que as pessoas acham estranhas, eu sou censurada. Mas eu trabalho, eu sou responsável e eu pago as minhas contas.

E agora quero botar um piercing no nariz.

Que tal?

Zuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm….

mmmmmmmmmmmmmmmmmmuuuuuuuuuZZZZZZZ…

Eu sei, eu sei. Larguei isso aqui às moscas. Mas todos têm seus dias ruins, né? Às vezes, uns dez dias ruins seguidos.

Mas eu ainda não desisti. Os 23 anos parecem pelo menos 32, mas eu me recuso a deixar tudo e sair correndo.

Tá, eu corri. Fugi, pra muito longe. Longe demais, mais do que eu podia esperar. Eu disse que não.

Mas você me chamou de volta. Uma garrafa de vinho, talvez duas. Nunca vou esquecer dos seus olhos fechados, sonhando sabe-se lá com que. Dos lábios cerrados. Do cabelo negro. Parece que foi há tanto tempo.

Tudo que eu sempre sonhei, mas tão diferente agora.

“And I was thinking to myself
This could be Heaven or this could be Hell”

Eu só queria poder dizer que você ainda é o que eu quero.

Stranger it feels…