março 2004

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{ Nexo pra quê? }

E ela deixou pra trás um cigarro pisado e um coração partido. O dela. E dentro da bolsa guardou o maço de ódio que a fazia seguir em frente. Companheiro, o isqueiro queimava as lembranças que a fazia chorar.

Nada seria como antes.

Agora tudo que ela queria era a paz de criança dormindo, como na música. Talvez ela devesse dormir. Talvez não, já que sempre foi complicado nunca saber quando sonhava e quando vivia, porque as duas coisas eram tão parecidas. E tudo se confundia naquele instante em que o cigarro caía.

O lado bom de dormir era saber que podia acordar. O lado b da vida era saber que o disco havia de acabar.

Se ainda fosse sexo…

É necessário.

Eu sei, as fotos estão péssimas. Mas isso não importa.

{ Eu sou homem! }

Eu não tenho frescura, não tenho mais de dez pares de sapato e falo palavrão – freqüentemente. Sou desbocada. Mato as baratas da minha casa e tento arrumar as coisas que estragam. Eu admito mentira e traição, desde que eu nunca saiba a verdade.

Quando eu não namorava, saía com quem me desse vontade e fazia o que desse vontade. Esse negócio de “joguinho feminino” é coisa estúpida: você quer ou não quer, e acabou-se. Por isso, transar ou não transar no primeiro encontro é dilema de mulher.

Não acho que dar o cu é problema existencial e acredito em sexo sem amor. E tenho tesão por tesão, faço sexo sem compromisso. Eu arroto, eu peido e faço cocô, ao contrário de mocinhas bonitinhas que negam veementemente visitarem o banheiro para fazer um número dois. E odeio fazer compras.

Não tenho ciúme, não fico imaginando se sou traída ou não. Se alguém não me quer, descubro alguém que queira sem ficar perdendo tempo, seguindo a velha máxima “quem não me ama não me merece”. Curo depressão com cerveja, amigas e uns beijos na boca (e talvez um pouco mais).

Ser prático é coisa de homem. Ser enrolada é coisa de mulher. Tanto que nunca se vê homem fazendo cu doce.

Tá, eu também sou mulher. Tenho TPM, choro em filmes, não sou lá muito fã de futebol, gosto de colo, essas coisas todas. Mas ser mulher, definitivamente, é complicado demais para mim.

H ou M?

Tem coisa melhor que agenda? Aquelas de adolescente, cheias de papéis e recordações (se bem que, com o mundo blogueiro, não sei se ainda existem), ou mesmo as de colégio, cheias de bilhetes, recadinhos e muita matação de aula.

Fazendo a arrumação dos meus armários, dei de cara com todas elas.

A foto da cozinha de uma amiga minha de muuuuuito tempo – na época, parecia absolutamente ridículo ganhar aquela foto, visto que ia todo dia até a casa dela. Mas, hoje, é como se eu voltasse a ter meus 8 anos, comendo amora, alisando um dos tantos gatos que ela tinha e me espantando por ela passar margarina no pão com a mesma faca com que o cortava. Os jogos de Atari na TV imensa que ela tinha e os bailinhos ao som de Guns e Phil Collins. O irmão dela que eu achava que amava, depois achava que odiava, e mais uma vez pensava que amava.

Todos os amores da adolescência, o primeiro namorado com que eu achava que ia casar e que me chifrou, o segundo namorado com quem perdi a virgindade mesmo sabendo que não ia me casar com ele, o terceiro namorado que eu achei até há pouco tempo que era o homem da minha vida.

As amigas, as palhaçadas, as festas, os churrascos. Os beijos, os não beijos, a revolta, o papel de bala, o bilhetinho daquele cara que eu nunca mais vi.

Na faculdade, as agendas já não tão mais ricas em detalhes, mas todas guardadas. Uma página inteira dedicada a xingar um professor, outra dedicada a copiar a rubrica da amiga pra poder assinar a chamada pra ela, com o recado “vale nota – a minha nota!”. Os recados trocados antes de namorar um menino da minha sala, as conversinhas depois de namorados.

Talvez por isso não tenha resistido a fazer um blog. Não podia deixar o resto das minhas páginas em branco.

É tosco, mas é meu!