dezembro 2003

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– véspera de Natal e TPM;
– parente chato e dor de cabeça;
– peru e farofa;
– som alto e ressaca;
– Natal e cólica;
– teclado que trava a barra de espaço e textos compridos;
– internet discada e provedor gratuito;
– internet discada, provedor gratuito e cartões de Natal;
– internet discada, provedor gratuito, cartões de Natal e blogs.

Por isso, será humanamente impossível responder, agora, um por um, aos vários desejos de Feliz Natal. Muito obrigada a todos. A vocês, ótimo Natal e Ano Novo. Espero que todos os sonhos que não foram realizados por Papai Noel na noite de ontem se transformem em realidade em 2004.

PS: quando voltar para minha casa, juro que respondo a todos direitinho.

Feliz Natal e Ano Novo!

{ Último dia }

Esses dias, me peguei cantando “meu amooor, o que você faria se só te restasse esse dia?”, do Paulinha Moska, e fiquei com a pergunta na cabeça. Eu:

– com certeza, não trabalharia;
– pintaria meu cabelo de vermelho;
– experimentaria cocaína;
– abraçaria e beijaria muito todo mundo;
– pediria desculpas;
– cuspiria na cara da única pessoa que eu odeio;
– gastaria todo o meu (pouco) dinheiro;
– faria muito sexo;
– ficaria na rede, abraçada com quem eu amo;
– olharia as estrelas;
– pularia de pára-quedas;
– tentaria “virar estrela” (aquele negócio que a gente faz quando criança e depois cresce e não consegue mais – mas eu nunca consegui, nem quando era pequena);
– compraria chocolates ao preço de 80 reais o quilo;
– diria aos meus pais e amigos o quanto eu os amo;
– beijaria uma mulher;
– diria a Deus que, se Ele existe (e eu espero que sim, senão fiz papel de idiota todo esse tempo), que perdoasse a todos nós, por tudo;
– comeria um pote imenso de sorvete da gelateria D´Vicz;
– colocaria uma foto minha no Chá-tice.

Talvez essa seja uma boa lista de resoluções para o Ano Novo.

Me diz, o que você faria?

O Natal, como já foi dito aqui, é aquele período mágico do ano. Em que os adultos se confraternizam e as crianças entoam canções de paz. E assim é o Coral do Palácio Avenida.

As apresentações acontecem na rua mais famosa de Curitiba: a rua XV. Todos os espectadores no calçadão, olhando para as janelinhas do prédio do HSBC, esperando surgirem as criancinhas fofinhas que cantam. De longe, é um espetáculo lindo. Mas de perto…

Adulto levando criancinha no colo, arrastando filhinho pela mão, tropeçando no bebê alheio. Papai escolhe um lugar com uma pessoa bem baixinha e pára em frente: então, saca seu bebê e empoleira o dito cujo em cima dos ombros. E aí não adianta protestar. Curitibano não fala com estranhos e acha que os incomodados é quem têm que se mudar.

Assim, entre cotoveladas e empurrões, você descola um lugarzinho no meio da multidão. Está feliz, vendo as criancinhas fazendo playback (sim, eu me iludi achando que elas realmente cantavam ao vivo!) e já estava pronta para esboçar um sorriso natalino. Mas eis que surge uma velhinha. Aparentemente inofensiva. Com uma bolsinha. E uma bengala.

Ela pára ao seu lado. Começa te empurrando discretamente. Quando você menos esperar, ela terá dado três bolsadas no seu estômago e cinco bengaladas na sua unha encravada. E ai de você se reclamar, porque ela é uma senhora de idade e merece respeito! Você é quem está errado, porque não cedeu o lugar a ela! Agora ela tem que te dar umas pancadas para poder assistir ao coral em paz!

Quando nada pior pode acontecer, começa a chover. E, nessa cidade, pode chover o quanto quiser; ninguém consegue manejar decentemente um guarda-chuva. Você se pergunta e qualquer super-herói capaz de desviar de balas sairia ileso de lá.

Então você vê mãe e filho chorando. E o espetáculo encerrando. E corre a repórter perguntar porque eles choram. Acho que, até agora, ninguém teve coragem de dizer a verdade.

No ano que vem, juro que levo minha própria bengala e meu guarda-chuva assassinos.

E um ano novo cheio de prosperidade!

{ Play }

trilha 1. [Dev. de trilhar.] S. f. (…) 3. Pista, vestígio, rasto. (…)

Para cada vida, uma trilha sonora. Você ouve o que você é.

De novo, eu e Moulin Rouge. Vontade de largar tudo pelo amor. Não paixãozinha: amor desses de filme. Queria arriscar sem medo de não ter dinheiro para pagar o aluguel, queria fugir com o bem-amado. Como roleta russa, jogando para ser feliz. Queria uma história que fizesse chorar.

Mas há mais que isso. Odeio ser racional, às vezes. E, sim, eu sou clichê. Só queria ter a opção de ser clichê como final de filme de amor.

Eu ouço o que eu tento ser.

Your Song

Moulin Rouge Soundtrack Lyrics

My gift is my song
And this one’s for you
And you can tell everybody
That this is your song
It maybe quite simple
But now that it’s done
Hope you don’t mind
I hope you don’t mind
That I put down in words
How wonderful life is now you’re in the world

Sat on the roof
And I kicked off the moss
Well some of the verses well
They got me quite cross
But the sun’s been kind
While I wrote this song
It’s for people like you that
Keep it turned on

So excuse me for forgetting
But these things I do
You see I’ve forgotten
If they’re green or they’re blue
Anyway the thing is well I really mean
Yours are the sweetest eyes I’ve ever seen

And you can tell everybody
This is your song
It may be quite simple
But now that it’s done
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that I put down in words

How wonderful life is now you’re in the world
I hope you don’t mind

I hope you don’t mind that I put down in words
How wonderful life is now you’re in the world

Pause:

{ Presente! }

Tem presente que é abraço. Tem presente que é abraço acompanhado de beijo. Tem beijo na bochecha, estalado, tem beijo babado, tem beijo molhado. Mas presente também pode ser flor. Rosa, margarida, amarillis, orquídea, tulipa. Pode ser um “oi”. Até um “tchau”, só depende da circunstância.

O fato é que presente é bom – desde que não seja de grego. E quem nunca recebeu uma meia, uma calça que não serviu, um perfume mais ou menos ou um cd que odiava?

Presente é o que se responde na hora da chamada, na escola. É a condição de estar em algum lugar. É estar sempre ao lado de alguém. E é pra esse alguém sempre presente que nunca se sabe o que dar.

Presentear é dar um pouco de si ao outro. Nossa, que clichê. Mas é isso aí.

PS: Um dos meus presentes de aniversário (sim, é hoje!) veio com um dia de antecedência, de alguém que eu não faço idéia de quem seja. Mas eu gostei muito. Obrigada, Bloggerman.

Abra!

{ É a vida! }

Criança é bicho engraçado. Quando menos se espera, elas soltam uma resposta sincera ou uma das clássicas desconcertantes. Há quem diga que a crueldade infantil é das mais perversas, mas é inegável o quanto isso pode ser divertido. Por isso, eu fico com a pureza das respostas das crianças!

Diálogos reais e fictícios de crianças de todas as idades:

O cara, iniciando uma cantada:

– Meu nome é Mike, e o seu?
– O meu não.

A mãe, para a filha:
– A privada está entupida. Você jogou alguma coisa dentro do vaso?
– Joguei.
– O QUE VOCÊ JOGOU?
– Um monte de cocô.

A menina, após ganhar um livro com uma dedicatória imensa, que impossibilitaria a troca do mesmo:
– Ah, esse eu já tenho.

A menininha de cinco anos:
– Você fuma, você vai morrer.
A fumante, de 40 anos, sem paciência e sem tato:
– Você também.
(será alguma inversão de papéis?)

Tarde da noite, no restaurante, a conversa entre a tia animada e a criança sonolenta:
– Olha, a cidade não dorme – diz a tia.
– Nem nós…

Eu fico com a pureza! E você?

Natal. Período mágico, em que Jesus nasceu para dar esperanças ao homem. Quando as famílias se reúnem para festejar e demonstrar seu amor e união. É período de amigo secreto, presente de Natal, ceia e décimo terceiro.

Faltando uma semana pra data, dinheiro. Pra comprar os presentes, pra comprar as lembrancinhas, pra comprar o peru, pra comprar os cartões, pra comprar os enfeites. Melhor vender a alma ao diabo. Dá-lhe meia, camisa e pijama. Boneca, video-game e bicicleta. Perfume, CD e livro.

Na hora da festa, papel e laçarote. E Papai Noel, que ninguém é de ferro. Criança feliz, criança com cara de choro, criança estabacada com brinquedo quebrado.

Falta Coca Cola, cerveja e vinho para fazer descer o peru com farofa entalado na garganta. Que saudade daquela macarronada molhadinha e do caldinho do feijão. A tia mais pudica da família tira você no amigo secreto. Lá vem uma calçola que você nunca vai usar – pelo menos não nas próximas cinco décadas.

No almoço de Natal, os adultos de ressaca, as crianças com os brinquedos barulhentos e a discussão pra ver quem ganha: a dor de cabeça dos pais ou a insistência dos filhos. Bebe mais um pouco, requenta o peru, assa um leitão. Um grita com a filha adolescente, a outra defende e vira aquela zoeira. Logo, tá todo mundo discutindo e deixando a louça pra você lavar.

Quinta-feira de Natal. Engraçado, sempre foi domingo de Natal. Ao fim de tudo, você jura que não quer mais ver sua família pelos próximos vinte anos. Mas, lá no fundo, sabe que vai esperar o ano todo para que finalmente chegue 25 de dezembro de 2004…

Jingle all the way…