setembro 2003

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{ Conto de fadas }

Era uma vez uma bela adormecida chamada Rapunzel. Ela tinha olhos grandes para ver melhor, orelhas grandes para ouvir melhor, nariz grande para cheirar melhor, e uma boca enorme para comer. Com tanta gula, era capaz de comer três porquinhos e uma maçã num único passeio na floresta – e, depois, tirar uma sonequinha, porque ninguém é de ferro.

Como se pode notar, Rapunzel não ficou tanto tempo assim tão bela… acabou ficando mais para patinho feio. Ainda assim, sua madrasta má contava as horas para o baile do príncipe, que procurava uma noiva. Assim se livraria da enteada comilona. Que coisa mais antiquada, seria mais fácil procurar uma agência matrimonial. Mas tudo bem. No dia do baile, Rapunzel, mais preocupada em comer que em agradar o bonitão, acabou fugindo com uma grande abóbora recheada de camarões.

A atitude indignou a mãe do príncipe, a Rainha de Copas, que botou os guardas em seu encalço para prendê-la e cortar-lhe a cabeça. Foi quando um gato risonho apareceu em frente à Rapunzel e indicou o caminho para a fuga. De quebra, ainda descolou umas botas que a faziam correr muito rápido, já que com um passo já ficava a léguas de distância (isso foi muito útil, porque a moçoila estava bem acima do peso).

Enquanto corria, ela notou que havia um pé de feijão enorme que crescia até além das nuvens. Ela subiu rapidamente e encontrou um castelo gigantesco. Lá, todas as travessas eram grandes: leitões, pães e doces em tamanho descomunal. Procurou pelo dono do lugar, mas foi informada que o gigante que habitava o castelo acabou abatido ao tentar recuperar o sapatinho de cristal de sua amada.

Assim, Rapunzel tomou conta da cozinha do castelo, contratou uma bruxa sem escrúpulos para atuar como consultora e entrou de vez no ramo alimentício, vendendo comida em porções gigantescas. Tornou-se uma empresária de sucesso e hoje espera uma fada madrinha que lhe consiga uma operação de redução de estômago.

Era uma vez comentários…

{ Campanha }

Como eu disse no post anterior, ontem eu fui doar sangue. Dessa vez, foi para uma pessoa em particular. Alguém que eu sabia que precisava. Que tá lá, na labuta, tentando viver. Na contra-mão, um rapaz tetraplégico, surdo e cego, tentava se matar desde setembro de 2000, mas ninguém permitia. E como é que um tetraplégico se mata? Nem isso consegue fazer. O caso aconteceu na França, a mãe finalmente conseguiu matar o rapaz hoje.

Às vezes tento estabelecer um limite para isso. Até que ponto vale a pena viver? Vale a pena estar numa cama, somente ouvindo, sem se mexer? Em que momento a existência passa a ser tão insuportável a ponto de desistir?

(Não, terminar com o namorado e brigar com a mãe não são, nem de longe, motivos suficientes para desistir. Se achar a pessoa mais feia do mundo também não.)

Mas penso nos que tentam ficar aqui, enquanto já são levados pela mão para um outro lugar. E não desistem. Esses decidiram viver. Deveras, foi uma bela escolha.

Para quem quiser doar sangue, o site do Hemobanco traz um monte de informações. A página é de Curitiba, mas é só procurar um banco de sangue onde você estiver. Vamos lá, deixe de ser cagão e enfrente a agulha!

Vai doar?

{ Decisões }

Assim se forma a vida. Uma escolha aqui, outra ali, e pronto. Está feito.

Ontem fiz dezenas de escolhas, que nortearam, definitivamente, o rumo da meu dia. Podia ser melhor ou pior, mas foi como foi porque eu escolhi levantar e sair de casa para trabalhar, almoçar um cachorro-quente em vez de comida, doar sangue (graças somente a ter optado pelo cachorro-quente), não comer doce para emagrecer os 2,5 kg que eu engordei, não dar a resposta merecida para a pessoa que me perguntou “por que as pessoas usam faixas laranjas no cabelo?”.

Mas as duas melhores foram ter doado sangue e não ter dado nem a resposta mal-educada nem a bem-educada que eu pensei em dar. Uma escolha eu fiz sem pestanejar: doar sangue. A outra só aconteceu porque eu pensei muito. E estralei os dedos. E contei até 10. E pensei em todos os métodos medievais de tortura. E mentalizei energias positivas. E acabei dando uma resposta engraçadinha.

Só espero que não aconteça como disse o Dr. Jack Nicholson em “Tratamento de Choque”. Ele tinha a teoria que existem dois tipos de “raivosos”: os extrusivos e os intrusivos (na verdade, acho que não foi esse o termo, mas tudo bem. Aliás, eu nem lembro direito se era assim a explicação, mas era parecido. Quem souber, me corrija). Os primeiros são aqueles que vão ao mercado, a caixa erra a conta e o cara xinga. Os segundos são aqueles que vão ao mercado, a caixa erra a conta e ele vai embora guardando o ódio. Até o dia em que ele entra armado no mercado e mata todo mundo.

Tomara que não seja assim.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!

{ Errata }

Claro que eu, ser inferior, não postei direito a Lei Morimoto. Postei uma versão resumida. Então, segue a íntegra original – e infinitamente mais divertida.

1º LEI DE MORIMOTO:

“Para todo apressado existe um retardado de mesma direção e sentido, cuja velocidade é inversamente proporcional àquele que anda mais rápido.”

Ops:

Morimoto é um sábio conhecedor do mundo e seus meandros. Uma pessoa capaz de explicar os fatores cotidianos através de máximas muitas vezes inegáveis, mas sempre divertidas. Alguns de seus pensamentos permitem reflexões e a criação de novos paradigmas para nortear as discussões necessárias em torno da evolução humana na Terra.*

Para incitar o pensamento filosófico, vejamos uma das leis de Morimoto e suas variações.

LEI DE MORIMOTO:
“A velocidade do corpo à sua frente é inversamente proporcional ao espaço que ele ocupa no espaço.”

Variações:

Variante Morimoto: “A velocidade dos corpos imediatamente à sua frente é inversamente proporcional à sua pressa.”

Variante Mocki: “A velocidade do veículo à sua frente é inversamente proporcional à potência do mesmo.”

Variante Ribeiro: “A velocidade do veículo à sua frente depende, em muitos casos, da presença de um adesivo com mote religioso.”

*Este parágrafo, apesar de verdadeiro, é totalmente embromation e explica como eu fiz minha monografia de conclusão de curso.

Divagações:

{ Ora… }

Tem comida que eu acho que não gosto. Talvez nunca tenha experimentado. Tem gente que eu achava que conhecia – e achava que, talvez, não fosse assim tão legal. Aí é que entrou o destino.

Acabei tendo que conviver com alguém que passou anos ao meu lado, mas cuja conversação nunca foi muito além do “oi, tudo bem?”. E foi então que descobri o quanto essa é uma pessoa legal. O quanto poderíamos ter nos divertido juntos.

Noto que algumas pessoas para quem já dei mais tempo não eram assim tão merecedoras. Gente que amei e não me amou de volta. Gente em quem confiei e que decepcionaram. E então, alguém de quem nunca esperei mais que o trivial se apresenta como uma bela surpresa.

O destino existe para provar que estávamos errados. Que pastel doce é bom. Que pizza de chocolate pode ser gostosa. Que algumas combinações que parecem não dar certo, na verdade surpreendem.

Ora…

E aí?

{ Coisas que eu odeio }

Eu sou uma pessoa altamente irritável. Por isso, também sou irritante. Quem me conhece já sabe várias coisas que me deixam com o sistema nervoso:

– dizer que tem uma coisa muito importante para contar, mas tem que ser mais tarde, ou pessoalmente, ou depois que salvar a vó que subiu no poste;
– não me levarem a sério quando eu realmente tenho uma coisa importante pra dizer;
– me levarem a sério quando eu faço um comentário que é uma piada;
– mastigar de boca aberta;
– comer fazendo barulho;
– gente que não me conhece dando palpite na minha vida (tipo a mulher que me viu tomando café e fez um comentário sobre a quantidade de adoçante que eu coloquei);
– comentários a meu respeito por gente que não me conhece;
– relações grudentas;
– mendigar atenção;
– discussão de relacionamento;
– desculpas, desculpas e mais desculpas;
– ter sempre as mesmas desculpas;
– não ter um mínimo necessário de auto-estima;
– me sentir culpada.

Obviamente, essa lista não está completa. Atualizo conforme as coisas forem acontecendo. Ou não. E, não me cobrem, porque eu odeio pressão.

O que você odeia?

{ Jesus de Genésio }

Seis doses de pinga de banana e uma aula de cálculo depois, eis o resultado. O texto era praticamente inédito para mim também, até eu digitá-lo agora.

Da pinga de banana

Se eu entender os hieróglifos, postarei no blog. Bem, se vocês estão lendo é porque consegui decifrá-los.

Seis. Após seis doses de pinga de banana, mais alguns goles de cerveja, cá estou eu na aula de cálculo. Concentrar-me nas derivadas parece impossível. Escrevo para fingir que resolvo o exercício proposto.

Fecho os olhos e vejo batidas de música eletrônica. A professora desconfia e me encara. Continuo rabiscando o papel que, se compreender depois, colocarei no meu blog.

(Noto, agora sóbria, que já disse isso.)

Engraçado como algumas pessoas definitivamente não nasceram para o cálculo. Meu ex-namorado me deu essa agenda, esqueci o caderno. A professora mata tempo ainda não perguntou sobre (indecifrável).

Amanhã tenho que trabalhar. Devo estar de ressaca. Isso que dá acompanhar os amigos deprimidos que perdem as namoradas.

Está no quadro:

Prove que (sec x)’ = sec x . tg x

Não me lembro de nada disso. Lembro do gosto da pinga de banana, que desce queimando a minha laringe.

Minha amiga me cutuca, quer saber se estou dormindo. Ainda não. Não sei como vou embora. Meu carro está me esperando, após a melhor baliza da minha vida, mas não sei se ainda sei dirigir.

Melhor me levantar, antes que eu durma. Ou vomite.

Pelo menos já são 10 horas. Faltam 50 minutos de tortura. Talvez eu saia um pouco para respirar, talvez não. Periga não voltar, nunca mais.

Duas amigas minhas tinham a teoria de que Marx e os pensadores de maneira geral eram um bando de alcoólatras e fumadores de maconha, que escreviam no auge do colapso alcoólico. Talvez não os (indecifrável).

Se bem que, agora, não tenho certeza de nada.

Ic!

{ Última estação }

Parece que é o ponto final para vários. Lágrimas, um choro disfarçado para evitar uma possível comoção coletiva. Em todo lugar, sempre um fim. As várias histórias passam a se desenrolar por trilhas diferentes.

Desatando laços, a visão turva. Os primeiros dias serão lentos. A tristeza é um rio de lágrimas que não tem dia para secar.

Snif:

{ Labirinto }

Deitada na cama, ela olhava o teto. Alguma coisa a incomodava, mas o que exatamente? Não dava para ver, tudo muito escuro. Na verdade, ela tentava olhar o teto, mas não via nada. Era como estar de olhos fechados, mas eles estavam abertos. Bem abertos. Arregalados, para ser mais exata.

E, apesar de não enxergar nada e não ouvir um único som, ela sabia que não estava só. Foi quando ela o notou ao seu lado. Quando correu, encontrou a porta trancada. A chave caída no chão. Ela buscava, tremendo, a saída, mas era impossível acertar a fechadura. Era preciso sair dali. Rápido.

Finalmente ela conseguiu. Saiu e trancou-se para fora. Agora não haveria problema, certo?

Errado.

Estava trancada, de novo, em outro ambiente. E, a cada vez que abria a porta, saía num cômodo diferente, sempre fechado, sempre seguida. A ameaça continuava. Corre corre corre corre. Abre fecha fecha fecha abre abre abre corre. Tudo de novo. Era como um labirinto, mas esse não tinha solução. Melhor se entregar.

Então eu acordei.

Se correr…

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