agosto 2003

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{ Bolinhos }

Ter contato com alguém todos dias é estranho. Dizer oi, tchau, bom dia, divirta-se, juízo. Todo santo dia. Ao mesmo tempo, é muito bom. Ter alguém pra dizer bom dia. Pra dizer que vai chover. Pra fazer companhia no mercado. Ainda não sei quando quero isso para mim, mas sei que quero.

Assim como quero flores naturais na sala e quadros na parede vazia do meu quarto. Plantas na sacada e bichos de estimação no quintal. Também queria ter mais tempo para fazer o que não tenho feito. Para dizer aos que eu gosto o quanto eu gosto. O quanto eu sinto. O quanto eu amo.

Mas, na Curitiba seca, todos os desejos são como cheiro de bolinhos de chuva fritando na gordura. Só que não há bolinhos, nem chuva. E eu queria tanto os dois. E tempo. Tempo de chuva para comer bolinhos. Com alguém para desejar bom dia.

Sossegue Coração

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

Leminski

Bom dia!

{ Colher de chá }

Uma pessoa me escreveu para dizer que o link da Folha, no post abaixo, não abre nem com reza braba (na verdade não foi esse o termo empregado). Então, só dessa vez, vou dar uma colher de chá e colar aqui o texto que me fez rir tanto na sexta.

08/08/2003 – 14h46

Loja de brinquedos em Nova York é invadida por “multidão-relâmpago”
da Reuters, em Nova York

da Folha Online

Uma “multidão-relâmpago”, organizada para provocar uma aglomeração de pessoas em locais inesperados, invadiu ontem uma loja de brinquedos na Times Square, em Nova York, onde um dinossauro gigante ruge e assusta os clientes.

O grupo de cerca de 300 pessoas encarou o dinossauro, como se estivesse hipnotizado, depois caiu no chão gritando e levantando os braços. Um funcionário da loja correu para chamar o segurança, enquanto a “multidão-relâmpago” se dispersou tão rapidamente como se juntou.

Foi o sexto encontro da “multidão-relâmpago” em Nova York e o mais recente de uma série de encontros que tem surgido em diversos países. O evento conta com participantes que são convidados por e-mail a chegar a um local predeterminado com hora marcada.

Ontem em Londres, aconteceu a primeira “multidão-relâmpago” britânica. Cerca de 200 pessoas invadiram uma loja de móveis, sacaram os telefones celulares e começaram a elogiar os sofás.

Baseado em Nova York e sem nenhum propósito, o Projeto Multidão foi fundado em junho por um norte-americano chamado Bill, que enviou um e-mail a alguns amigos, que o encaminharam a seus amigos, e assim por diante.

As “multidões-relâmpago” já cruzaram os Estados Unidos e muitas cidades européias.

O primeiro evento na Europa ocorreu em Roma no mês passado, quando um grupo se reuniu em uma livraria e encheu os vendedores de perguntas sobre livros que não existem.

Entre os locais visitados pelo projeto em Nova York está o Central Park, onde a multidão gorjeou como pássaro e cacarejou como galo, antes de se dispersar. No Hyatt Hotel, os participantes começaram a bater palmas espontaneamente. Na loja de departamento Macy’s, eles fingiram procurar por um “cobertor do amor”. E em um loja de sapatos no Soho, eles atuaram como turistas de Maryland.

Segundo os organizadores, que pediram para não ser identificados, a graça da “multidão-relâmpago” é sua natureza absurda e inexplicável.

Fonte: Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u61334.shtml)

{ Efêmero }

A graça da vida reside na inconstância do todo que compõe o mundo. O que está aqui, agora, pode estar completamente diferente daqui a 10 segundos. Como um leite que ferve e derrama, como uma bomba que explode, como um amor que surge ou que abre a porta e vai embora.

Algumas vezes não acho graça. Quando o amor do outro vai mas o meu ainda mora lá. Quando o leite derrama e tenho que limpar a meleca toda. Não é divertido porque dá trabalho. Exige sacrifício, fazer uma coisa que eu não queria, justo agora, estava tudo tão bem, estava tudo uma porcaria mesmo, não devia ter saído da cama.

E onde está a vantagem na efemeridade das coisas? Ah, são tantas. Se sujou, dá pra limpar. Se quebrou, dá pra colar. Se se foi, sempre é possível lembrar. Mas há o que prefiro esquecer. Só que já não me recordo mais o que é.

Além disso tudo, a efemeridade pode ser hilária. Como as multidões instantâneas que têm se formado através de e-mails, sem motivo e sem objetivo. São no mínimo engraçadas. Eu ria muito lendo a matéria na Folha Online, na sexta. Porque a situação era cômica e porque era sexta-feira.

Assim como todo o restante dos componentes do universo, meu mundo também é recheado de inconstância. Tudo muda após as 00h de sexta. Porque é sábado. Ou nada muda. Mas continua sendo sábado (pelo menos até ser domingo).

A velocidade dos acontecimentos é tão rápida quanto meu riso. E não há como segurar nem um, nem outro. E hoje só é terça-feira.

Cadê? Cadê? … Ih, já foi…

{ Ai ai ai }

Odeio suspense. Fico aqui esperando. Ai ai ai. Tudo bem, agora não dá pra fazer nada mesmo.

É mais ou menos isso que acontece todos os sábados quando tenho que ir pesar. Será que emagreci? Quanto será que emagreci? E se eu engordar? Tudo bem, continuaremos na labuta, fazer o que.

Mas que esse suspense mata, ah, mata. Nem o Prozac dá conta de tanta ansiedade. Ai ai ai.

Juro que se eu tiver tempo escrevo um texto decente. Esse aqui é só pra enganar quem anda perguntando pelo update do blog.

Me mande tomar vergonha na cara e escrever alguma coisa que preste!

{ Inércia }

Inércia é a propriedade comum a todos os corpos materiais, mediante a qual eles tendem a manter o seu estado de movimento ou de repouso.

Estou tentando quebrar a inércia. Depois de alguns meses vivendo somente para a faculdade, volto a trabalhar. Dar conta de tudo parece impossível agora. Rezo todas as noites, pedindo para Deus fazer o Lula manter a Reforma da Previdência. Graças a isso, tenho só metade das aulas habituais.

Enquanto isso, para não ficar parada, lá vai um textinho no blog. Daqui a pouco crio coragem e começo a arriscar atividades totalmente alternativas, como fazer Pilates. Mas agora não. Agora quero dormir.

ZzZZZZzzzzZzZZzzzz…

{ Filha de Deus }

Issaí, porra! Eu também sou filha de dEle, então mereço meu descanso, não? Até porque que não terei mais minha folga diária de 8 horas (além das 8 horas que eu passo dormindo). Sim, sim, sim!! Não sou mais uma pessoa desempregada. Deus lembrou de mim. Voltou do transe em que estava, preocupado com as vítimas da guerra no Iraque, sei lá. Não reclamo, pelo contrário.

Deus é curioso. Ele aparece, dá o céu e a terra, aí some. Fica meses longe. Parece que fica espreitando, só esperando o momento de incredulidade (credo, isso existe?) total, em que eu estou pronta para gritar que Ele não existe. Aí é que tudo acontece. O sol aparece, as coisas dão certo. Como se Deus quisesse dizer “ah, duvida? Pois eu tô aqui, gatinha!”.

É por isso que Ele é meu camarada. Ele nunca me deixa na mão – pelo menos não por tempo suficiente pra eu desistir de crer. Valeu, meu chapa.

Faaaaaaaaale!

O fim de uma espera e o início de uma nova. Ai ai ai. Passa logo, tempo!!! Que lerdeza.

Toca telefone! Necas… nem um “trim” sequer. Tudo bem. Agora tenho compromisso mesmo.

Depois escrevo um texto decente. Talvez com notícias. Talvez não.

Enquanto o telefone dorme, comente!