julho 2003

You are currently browsing the monthly archive for julho 2003.

{ Espera }

clock

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Esperar significa que você depende de alguém. Se, por um lado, fica a sensação de que não se está sozinho no mundo, por outro, reforça a solidão. Está sozinho esperando alguém que não veio ainda. Porque, quando vier, está acabada a espera. Ufa.

Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Pior é esperar sem certeza. Pode ser que não venha, e só se pode esperar. Há quem reze. Há quem coma. Há quem durma na impotência do aguardo. Venha logo, mesmo que para dizer que não vai ficar.

Trimmmmmm:

{ Diálogo }

Tem dias em que é complicado escrever alguma coisa que faça sentido. Porque o que se quer é falar com alguém, e não falar sozinho. E escrever é sempre um ato solitário. Escrever é masturbar-se.

Isso mesmo! Agora sim. E tem dias que se prefere o sexo a dois. Aliás, sempre prefiro, mas nem sempre é possível, certo? Assim é o escrever.

O tesão é o mesmo, mas o prazer é diferente. Botar o que se pensa no papel é parir um filho, é cagar e andar para o que podem achar, é desejar explodir ao mundo discussões interiores e intermináveis. Masturbar-se é um descarregar físico nem sempre emocional. Como no sexo a dois, embora eu sempre prefira o a versão estendida – com emocionais. E, aí, o fornicar pode ser muito mais que só uma trepada e virar um ótimo texto.

Hoje eu não queria escrever porque não queria um prazer solitário. Mas antes que eu pensasse, foi. Uma ejaculação precoce.

Quer comentar?

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/31/2003 12:33:02 AM

{ Questões tipicamente femininas }

Estou na TPM. Todo mundo sabe o que isso significa, certo? Inacreditavelmente, não estou mal-humorada. Prozac, bendito sois vós entre as mulheres.

Seu efeito é tão miraculoso que até faz sol em Curitiba. E até posso enumerar algumas vantagens em estar na TPM. Poder xingar todo mundo e depois botar a culpa nos hormônios; ter uma desculpa para estar de mau humor; e, como não podia deixar de ser, atacar chocolates sem remorso. Afinal, estou em tensão pré-menstrual e preciso de serotonina. Muita.

Mas nada se compara ao inchaço. Sim, ele mesmo. Os seios incham, ficam lindos, redondos e durinhos (e olha que não sou sem peito!). Como bem diz uma amiga minha, é o período ideal para sair de casa sem sutiã. E esse post tá totalmente surreal. Abençoado Prozac.

Comentários?

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/30/2003 02:48:43 PM

{ Amor incondicional }

Eu queria um filhote. Um meu, de verdade. Que ficaria dentro de mim durante nove meses e que dançaria na minha barriga enquanto eu quisesse dormir. Um bebê que eu passaria meses imaginando como seria e que, ao nascer, provaria ser mais lindo do que eu jamais pude imaginar. Com olhos grandes e brilhantes, enxergando o mundo pela primeira vez.

E ficaríamos nos olhando, desconhecidos de longa data. Observando um ao outro como quem vê uma pintura pela primeira vez. Pés, dedos, braços, pernas, cabelos ou a falta deles. Tudo tão pequeno que pareceria impossível estar vivo. Mas eu sentiria o calor do seu corpo pequeno colado ao meu e ouviria sua respiração bem mansinho perto de mim.

Alguém para alimentar, escovar os dentes (quando os tivesse) e para me surpreender a cada novo passo. Um ser que me mostraria o que é o amor incondicional. E que eu ensinaria a viver, ainda que eu mesma não soubesse bem como fazê-lo.

O Filho que Eu Quero Ter
Toquinho e Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem

De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado com o filho que ele quer ter

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/30/2003 12:32:15 AM

{ Nãããããããão!!!! }

Já acharam que eu precisava fazer exames de sangue para provar que não era saudável. Para provar a quem disse, claro. Eu sei o que faço, ou ainda acho que sei. Já acharam que eu não prestava. Sou o exemplo típico do “ame-o ou deixe-o” – e muitos deixaram. Não faço questão.

Novamente, o mesmo riscado. Temática diferente, mas continuo não prestando. E por pessoas diferentes. É por isso que faço o que tenho vontade, para não acabar como na história do velho, do menino e do burro. Aquela em que eles iam ouvindo o que os outros diziam, iam mudando, mas mesmo assim não agradavam ninguém.

Eu me agrado. E ainda agrado a uma porção de gente. E quem quiser que conte outra, porque essas já me torraram o saco.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/29/2003 01:19:42 AM

{ To change or not to change… }

Algumas coisas nunca mudam. Como a torta de maçã da minha mãe. Era sempre a mesma torta, quase todo fim de semana. Torta de maçã ou pudim de leite, mas a primeira é a que nunca muda. Porque os pudins desmancham e outras pessoas o fazem, cada qual com seu toque.

Isso não acontece com a torta de maçã da minha mãe. Hoje eu não moro mais com ela, e eu ou minha irmã é que a cozinhamos (a torta, não a minha mãe). Mas é sempre a mesma. Sempre o mesmo sabor. Sempre as mesmas lembranças. Os mesmos domingos, recheados de Show de Calouros, com o Silvio Santos. Os mesmos dias de quando eu tinha 6 anos.

Sábado arregacei as mangas e fui pra cozinha. A mesma torta, dessa vez com adoçante (malditas gorduras!). Ainda assim, era a mesma. A da minha mãe.

Por outro lado, continuo na biografia do Leminski. O autor, Toninho Vaz, fala de um companheiro do poeta, chamado Lélio Sotto Maior. Juro que tive, com ele, uma palestra na faculdade. Lembro da dificuldade que tinha em falar – balbuciava frases sobre Glauber Rocha. E é isso. Não lembro mais nada. A mim, parecia um velhinho, já meio gagá.

E esse gagá descia a rua XV, mãos dadas com seu amigo Paquito, batom vermelho na boca a chocar os curitibanos (sempre) conservadores da década de 60. Em 2003, devem continuar tão conservadores quanto antes. Porque são como a torta de maçã da minha mãe.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/28/2003 01:12:46 PM

{ Achado }

Estou lendo a biografia do Leminski. Descobri que morei no mesmo prédio que ele, embora não no mesmo período (mudei pra Curitiba em 98 e ele morreu em 89 – isso que eu nem sei até que ano ele morou lá). Se soubesse disso quando morava no tal Edifício São Bernardo, na Alameda Dr. Muricy, teria dado mais trela às conversas das velhinhas no elevador.

Não entendo até hoje porque aquela rua é alameda. Diz o Aurélio:

alameda (ê). S. f. 1. Rua ou avenida marginada de álamos. 2. P. ext. Rua ou avenida marginada de quaisquer árvores.

Nunca vi nenhuma árvore na Alameda Dr. Muricy.

Comentários? 

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/24/2003 01:03:50 PM

{ !!!!! }

Era um dia comum. Cá estava eu, lendo a coluna Zapping da Folha de São Paulo, como todos os dias. Globais, blablabla. Programinha da Xuxa, blablabla. Os Normais, Louro José, Kubanacan, blablablablablablablablablabla. Mas eis que vem a revelação:

“Sidney Magal é o convidado hoje do ‘Almoço com os Artistas’ (Rede TV!). Ele falará de sua convivência com o primo Vinicius de Moraes.”

Mas hein???? Como é que eu, adoradora do grande poetinha, nunca soube disso??? Tá bem, não sou nenhuma estudiosa, tampouco pesquisei a vida do cidadão a fundo. Mas, em tudo que já ouvi e li sobre Vinicius de Moraes, nunca notei menção alguma ao parentesco com o cantor kitsch/brega. Alguém pode me explicar porquê?

Deve ser medo de misturar um dito intelectual com uma figura totalmente popular. Cada qual deve andar do seu lado da rua, olhando para a frente sem poder sequer dar um “oi” ao passante da calçada oposta.

A propósito, não conheço muito do trabalho do Magal. Mas acho bem bacana.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/19/2003 01:52:32 PM

{ Dois }

Eu não sou elegante. Totalmente desnecessário dizer isso, mas não sou. Já tentei ser: na casa dos namorados, nas entrevistas de emprego, diante de alguns desconhecidos que poderiam se iludir. Nunca deu certo.

Sou materialista e pecadora, adoro o palpável e os excessos. Talvez por isso não consiga ser “chique”. Por conta da minha – como diremos? – maneira espalhafatosa de ver o mundo, adicionei dois quilos à minha silhueta (que também insiste em não ser das mais elegantes). Isso mesmo. Dois quilos, em duas semanas. Meu estado deprimido deselegante foi regado a sono e comida.

Já os elegantérrimos não. Esses não tocam no terrine de salmão, não desejam ser incomodados e emagrecem. Muuuuuito. Nenhuma Glorinha Kalil engorda porque achava que a vida estava uma merda.

Aliás, para ser elegante, eu devia parar de falar palavrão. Se bem que merda nem é palavrão. E eu também nem quero brincar de ser Glorinha Kalil e não poder mandar alguém se foder quando der vontade.

Comentários? 

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/18/2003 01:21:14 AM

{  }

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/16/2003 11:25:26 AM

{ Saudade do que já passou }

Lembranças. Recordações fudidas, do que já foi (e já fui) e nunca mais será igual. Tanta coisa que tinha se perdido no mundo das memórias, que apaguei para ajudar a esquecer o que gostaria de continuar lembrando. Coisas, histórias e amores que passaram, deletados para liberar espaço pro que viesse pela frente.

O lado bom é que reconheço que meu passado foi recheado de fatos bacanas, mesmo que tivessem um belo chifre ou uma sucessão de histórias mal-resolvidas como ponto final. O lado ruim é admitir que fiz besteira, e não poucas. E que alguns amores que passaram não se instalaram por minha culpa. Mas isso se corrige: outros melhores vieram, e dessa vez não vou deixá-lo escapar por entre os dedos.

o que o amanhã não sabe,
o ontem não soube.
nada que não seja hoje
jamais houve

Leminski

Comentários? 

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/15/2003 05:45:32 PM

{  }

Aliás, tinha prometido só postar quando o layout estivesse a meu gosto. Não deu certo.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/11/2003 01:32:57 PM

{  }

Foram 4 anos jogados no lixo. Só pode. Estou admitindo a última coisa que eu queria, depois de quase um ano e meio de formada. Ter feito jornalismo não me serviu pra nada além de ter um bom texto pra escrever esse blog. Se bem que eu já tinha um texto legal antes de entrar na faculdade, daria conta de escrever isso aqui decentemente. Então, definitivamente, ter estudado 4 anos e, hoje, ter um diploma dentro da minha gaveta não fez lá muita diferença na minha vida.

Na verdade, fez por ter me obrigado a mudar pra Curitiba e conhecer gente muito bacana. E só. Cadê o meu emprego, aquele com o qual eu sonhava quando tinha 17 anos? Porra, eu podia ter feito outro curso, um que pelo menos eu procurasse uma vaga e tivesse um endereço pra mandar um currículo. Mas não. Ainda pego o infeliz que diz que o que importa é fazer o que você gosta.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/11/2003 01:32:30 PM

{  }

Não adianta. Eu o observo como a uma onça. Quando criança eu queria ter uma onça; ainda hoje eu gostaria, mas ela não caberia no meu apartamento. Olho pra ele com os mesmos olhos de criança de quando achava possível ter um onça no meu quintal. Hoje nem quintal eu tenho. Continuo a encará-lo. Arrisco um movimento e ele nem se mexe. Inerte. Vai ver está morto.

Maldito layout. Preciso de ajuda.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/9/2003 03:19:19 PM

{  }

O início de tudo.
No início era um vazio, com um layout que eu não queria. Espero que melhore.

postado por: Letícia Junqueira – Lady Erinyes 7/8/2003 10:10:47 PM