{ Rótulo }

Sempre quis uma tatuagem. Desde muito nova, quando não era moda e era coisa de quem tinha colhões. Mas, morando no interiorrrrrr, há de se imaginar que, além de não haver tatuador na cidade, esse tipo de prática não era lá muito bem vinda. Mas eis que mudei pra Curitiba – e começou a coceira pra fazer uma.

Sabendo dos pelo menos três tipos de ataque que minha mãe teria – ataque histérico, ataque cardíaco e ataque de raiva, entre outros –, optei pelo piercing. O argumento “quando eu quiser eu tiro” era ótimo. Botei o brinco no umbigo, e nada do desejo de fazer uma tatuagem passar.

A verdade é que fiquei dos 10 aos 19 anos sentada, esperando a vontade passar, mas necas. Então criei coragem de enfrentar a agulha (e a mãe) e fui. O que eu não sabia é que tatuagem vicia; é praticamente impossível ter uma só. Depois da primeira, fui para meu segundo piercing (nova tentativa de não fazer outra “marca” no meu corpo).

Preciso dizer que não resolveu? Hoje tenho três tatuagens, que eu adoro. Só não faço mais porque logo vai ser impossível escondê-las. E, por mais que o mundo se diga moderno e livre de preconceitos, às vezes é preciso.

Minha mãe disse que eu era maloqueira. Ah, e quem disse que eu não sou? Sempre fui espevitada, ovelha negra da família (odeio esse termo, mas não há sinônimos perfeitos para ela), moleca, biscate (isso era o que diziam, eu não concordo não). Um rótulo a mais, um a menos, não faz a menor diferença agora.

Antes que eu me esqueça, o melhor das tatuagens: espanto, de cara, gente preconceituosa. Isso é ótimo.

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