{ É proibido beijar no salão }

– Desculpe, senhor, mas isso não é permitido.

– Ahm? Como assim?

– É proibido beijar no salão.

Isso aconteceu num café, em Curitiba. É, num café, não numa igreja, nem numa escola infantil. Um lugar de gente que toma essa bebida cheia de cafeína, por vezes com álcool. Um ambiente onde, reza a lenda, reúnem-se pessoas inteligentes e intelectualizadas.

Mas é proibido beijar no salão.

Porque, vai ver, os freqüentadores de cafés são ranzinzas o bastante para se incomodarem com casais felizes que se beijam. Como se eu fosse uma fumante, invadindo narinas alheias com fumaças de amor e felicidade.

(Em tempo: eu não fumo e não sou lá muito fã de cigarro, mas acho uma maldade proibirem as pessoas de fumar num lugar “aberto” como um shopping.)

Alguém pode dizer que um café não é um lugar para fumar, nem para se beijar, é um lugar para beber e comer e conversar. E onde é lugar de beijar? A cama é feita para dormir, o mercado é para fazer compras, o parque é para fazer exercícios, a escada e o elevador são só para chegar ao próximo andar. Se o banheiro é para fazer pipi, o colégio e a universidade são só para estudar, onde diabos eu beijo o meu moço?

Aliás, sugiro placas informativas nos estabelecimentos, com uma boquinha coberta por uma listra: é proibido beijar neste local. E a criação de beijódromos, porque, afinal de contas, em algum lugar as pessoas normais têm que se beijar, não tem?

Bom, acho que não, porque é proibido beijar no salão. E na Universidade, visto que recebi o mesmo aviso no pátio da primeira universidade tecnológica do país. Não pode namorar na escola. É, engenheiro tem que ser frio e calculista, nada desse negócio de ficar se beijando no intervalo (imagino o que aconteceria no caso de um beijo homossexual como o que aconteceu na USP, tempos atrás).

Já esperando os comentários alheios de que eu deva realmente ser muito escandalosa nos beijos, aviso que não. Não falo de um beijo homossexual que possa chocar a multidão mais conservadora. Nem de um daqueles beijos escandalosos dados entre duas pessoas sozinhas numa mesa, que acabam na frase “vamos pra um lugar mais reservado”.

Eram cinco pessoas na mesa. O beijo durou alguma coisa como 30 segundos. As quatro mãos envolvidas estavam visíveis, na linha dos ombros. E, ao fim, recebemos o aviso. Ficamos tão surpresos que acatamos.

E então eu recebo o vídeo do “Free Hugs” e do carinha que saiu na Paulista com uma placa “dá um abraço?”. Talvez seja isso que as pessoas em Curitiba precisem. Abraços. Carinhos. Calor humano.

E permitir beijos em cafés e universidades.

tudo o que você precisa é amor…

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