{ Avisandinho }

Depois de uma crise de lombalgia que me deixou de cama e uma mudança (moramos no Flamengo agora, para melhor carioquizar nosso pequeno feijão), estamos quase de volta.

A partir de hoje, sexta sim, sexta não, estarei no Manchete de Ontem. A proposta é comentar uma notícia do dia anterior – tou lá me lembrando das doces guloseimas industrializadas que eu comi ao longo da vida. Pra ir direto ao post, é só clicar aqui.

Semana que vem eu tou de volta. ;)

{ Somos mães }

Quando eu tinha uns 15 anos, eu tinha certeza de que meus filhos iam nascer por cesárea. Parecia bastante absurda a hipótese de tirar uma melancia por um buraco onde só passa um limão*, quando existia a possibilidade de nem ter as dores do trabalho de parto.

O tipo de parto é um assunto tão inerente à mulher que, mesmo que você nem tenha namorado e seja virgem, provavelmente formou uma opinião a respeito. O que todos os médicos e entidades de saúde recomendam é que se tenha um parto normal. Uma das coisas mais curiosas é que eu assisto a partos normais tranquilamente: choro e acho lindo. Mas sou incapaz de assistir a cesáreas. Considero brutal, independentemente da falta de dor da mãe.

Em algum momento, eu entendi que era tudo medo e que ser mãe era um processo natural. Se o mundo tem hoje mais de seis bilhões de habitantes, isso tudo é porque dar à luz é só mais um pedaço da vida da gente – um pedaço lindo, por sinal. Mesmo que digam que a mulher moderna não tem capacidade ou força para fazer um parto, existem mulheres parindo sozinhas todos os dias.

Depois de 15 anos de discussões internas sobre o assunto, eu decidi que quero um parto natural. Sem drogas, sem substâncias químicas. Sem cortes desnecessários. Eu não quero 17 enfermeiros checando minha dilatação, nem pessoas que tenham que procurar o médico pelo hospital quando eu gritar que “tááá nasceeeendo”. Eu não quero ter um parto induzido a não ser que isso seja realmente necessário. Eu quero toda a experiência de ser mãe, com toda a dor e com toda a certeza de ser o momento mais puro e mais emocionante de toda a minha vida.

Isso não significa que essa é uma experiência egoísta, nem que eu quero ter meu filho com os lobos. Eu espero um bebê que nasça sem a influência de anestesias e outras drogas. Quero que ele venha no tempo que ele bem entender – porque deve estar tão quentinho e gostoso aqui dentro que não deve ser uma situação muito confortável ter que sair. Não se apresse, meu querido, use o tempo que for preciso; mamãe estará morrendo e gritando de dor, mas não se assuste. Saia quando puder.

As mulheres fazem isso desde que o mundo é mundo, mas ainda há quem ache que essa é uma maneira ruim. Uma mãe ama seu filho tanto ou mais que outras pessoas, e realmente não consigo imaginar porque uma mulher que decida ter um parto normal sem o uso de anestésicos colocaria a vida dele em risco. Estamos falando da dor que é a referência de todas as outras dores do mundo; acredite, ninguém faz isso só por diversão. E se não for possível, então induzimos o parto, fazemos cortes, tomamos anestesias. Não somos idiotas. Somos mães.

Cansa, além de todo o medo, ainda ter que explicar porque é que desejo um parto natural.

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* Why don’t you try squeezing something the size of a watermelon out of an opening the size of a lemon and see how hot YOU look? – Mollie, no filme Look Who´s Talking (Olha Quem Está Falando)

{ E 2011? }

Em 2011 eu vou ser mãe, escrever um livro e plantar uma árvore, pra ficar tudo no esquema pra 2012 (quando o mundo acaba, vocês sabem).

Não planejo nada além disso. Porque, você sabe: o homem planeja e Deus ri.

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Só pra não ficar sem terminar o do Meme das Antigas do MaxReinert. ;)

{ Uma foto minha em 2010 }

Em Paraty, depois de comer moqueca e antes de deitar no colo do marido pra assistir Tom e Jerry no restaurante.

Foi um dia bom. :D

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{ O problema e o bom de 2010 }

O problema de 2010 foi…

Eu não me esforcei o bastante. Comprei minha pipoca tamanho família e sentei pra assistir as coisas acontecerem, e, bem, o projetor deu umas travadas, eu botei a culpa no cinema e fui embora.

O bom de 2010 foi…

Descobrir a tempo que a falta de consequência só indica a minha falta de ação.

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{ Resumão }

Eu podia explicar de umas 17 maneiras diferentes porque eu não escrevi aqui esses dias. Mas é como explicar porque eu não gosto de purê de batatas, de polenta ou de gelatina: as pessoas simplesmente não entendem.

Eu não gosto de purê porque é comida de velho. Eu ainda tenho dentes, eu quero mastigar, por favor. Uma vez que a papa está dentro da boca, eu me pergunto “engulo ou mastigo?”. A textura é de comida mastigada, mas ainda tem que mastigar mais. Ui. Mas eu como pudim. E mousse de chocolate. Porque dá pra mastigar ou deixar derreter suavemente – desculpa, não dá pra deixar o purê deslizar pela língua até a garganta.

As pessoas acham estranho, mas eu considero bastante lógico. É isso.

E, é claro, nada tem a ver com o que eu queria dizer. É impressionante a capacidade que eu tenho de sair do foco, cruzes. Como eu não escrevi aqui nos últimos dias, vou fazer um resumão pra fingir que cumpri a proposta. E só volto depois do Natal, né?

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Em 2010, eu consegui me formar na segunda faculdade: agora sou tecnóloga em artes gráficas. Também consegui comer um panetone de meio quilo em menos de 48 horas. Ah, conquistas, conquistas.

Em 2010, tive inveja de gente livre. Eu sempre estive presa a alguma coisa: emprego, apartamento, carro, namorado. E algumas pessoas simplesmente conseguem não se prender a nada (mesmo que por um tiquinho de tempo) e chutar tudo. Acho lindo. Também tive inveja do Túlio PB, que comeu sonho do Carro dos Sonhos (sonhos de creme, nata, doce de leite, chocolate e goiabosonho!).

Em 2010, eu quase publiquei um livro. Mas ficou pro ano que vem, hahahaha!

Em 2010, eu descobri que os amigos sempre estarão lá. E outras coisas importantes, bem importantes. ;)

Em 2010 eu quis matar o vizinho, que tinha um pressurizador de água absolutamente barulhento e tinha a brilhante idéia de tomar banho às 5h40. Sério. Um dia, eu cansei dessa vida e levantei 6h pra tocar a campainha dele – diante da feição incrédula do marido, achando que meu plano não ia dar certo. Considerei que a reclamação teria muito mais efeito com a minha cara de sono, cabelo despenteado e ódio mortal. Funcionou.

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para… putz, isso exigiria uma revisão das fofocas do ano. Mas já que tamos aqui, vamos citar a Susana Vieira no Domingão do Faustão domingo passado. Pagar peitinho foi fichinha perto da (cof) incrível performance musical.

E o troféu me mata de orgulho de 2010 vai para todos os meus amigos que fizeram, cada um a seu jeito, conquistas memoráveis. Abrir uma loja, fechar uma loja, começar um casamento, terminar um casamento, começar uma faculdade, terminar uma faculdade (sendo melhor aluna, então, nem se fala). Entre tantas outras coisas que pessoas fazem todo o tempo, mas exigem uma coragem louca.

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Pularei os próximos dias de Meme por motivos que Liber exemplificou muito bem. Aproveitem bem o Natal, amem muito e divirtam-se.

{ Em 2010, eu tentei… }

Umas coisas que eu tento desde que eu me entendo por gente: emagrecer, parar de roer as unhas, escolher uma alimentação mais saudável, blablablá whiskas sachet. Funciona durante um tempo, mas, ó, nasci pra isso não.

Outras tentativas foram exclusivas de 2010, como tentar seu uma dona-de-casa menos noiada e mais eficiente – mas, considerando que agora a pia está cheia de louça e o marido não tem camisa passada pra usar amanhã, acho que algo não deu muito certo. Tentei – não com muito afinco – fazer uns amigos no Rio, mas tou devendo até agora conhecer a Cecília.

Ademais, tentei continuar vivendo, mesmo que eu não saiba muito bem porquê, onde, quando, como, quem. Se esse texto tá escrito, quer dizer que isso eu consegui.

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Cuba. Sempre. Pra colher abacaxi ou dirigir coco-táxi.

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Tenho advogados. Ah, tenho.

Era isso que eu ia contar ontem; ia sim, eu juro. E, pela primeira vez, eu furei o Meme das Antigas. A questão é que os textos não-escritos vão-se embora pra Passárgada, onde tem prostitutas bonitas pra gente namorar, e não voltam mais. Nem têm a decência de deixar um bilhetinho. Humpf.

É como largar o prato de sorvete pela metade e atender a síndica faladeira na porta. Mesmo se der sorte de as formigas não invadirem a gosma derretida, é em vão devolver a delicinha pro mundo das temperaturas polares. Aquele sorvete nunca mais será o mesmo. Se abandonar seu texto pela metade, recomendo não pensar mais no assunto. Ele voltará com os cabelos azuis e negando qualquer parentesco.

E ontem, ah, ontem, quando eu não escrevi aquele texto, eu fiz um ultrassom no olho pela primeira vez (note a reviravolta fantástica do roteiro). O bacana de exames de vista é que nunca se sabe que tipo de tortura vão aplicar em você. Sempre apresento um certo tremor e um tique quando a moça diz “encoste o queixo e a testa, por favor”. Uma geringonça que sopra, outra emitindo flashes e eu me perguntava em que momento uma agulha de 15 cm ia ser ejetada para perfurar minha córnea ferozmente. Mas nada disso era o ultrassom.

A médica pediu pra fechar os olhos – o que é relativamente bom, mas a indefinição dos acontecimentos dá um certo pânico. Eis que um gel encobriu minha pálpebra e uma superfície metálica levemente aquecida pressionou meu globo ocular. Opa, começa a pegadinha: “por favor, olhe para a direita” – e eu pensava que, se ela parasse de pressionar, talvez eu conseguisse mexer meus olhinhos pra algum lado. “Agora para a esquerda”. A falta de lógica de olhar para um lado ou para outro estando com as pálpebras cerradas é desconsiderada quando se verifica a possibilidade iminente de ter o globo ocular grudado no cérebro.

Não é um procedimento que eu recomende para os momentos de ócio. Se estiver aí desocupado, indico tomar um sorvete, conversar com a síndica ou achar umas prostitutas bonitas para a gente namorar.

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{ Meu melhor dia de 2010 }

Acordar e o café da manhã estar pronto. Café na cama. O gatinho no meu pescoço. O resultado do exame. Ver filme deitado no sofá. Cosquinha. As taças de vinho. Cafuné. Massagem. As refeições. Risadas. Restaurante mexicano. Umas cervejas. O livro. Reconhecimento. Hohohoho. Praia. Dias de sol. Dormir até tarde. O álbum de casamento. Água clara e quentinha. Beijinhos. As dancinhas descoordenadas. Matar as saudades. Fumar cebolinha. Fotografar a bunda do garçom. Ligações aleatórias. Todo esse amor.

“Felicidade
Não existe
O que existe na vida
São momentos felizes”

Odair José
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