Tem dias que a gente dói. Pé, cabeça, barriga ou pescoço. Nesses dias, a gente vive apoiado em anestésicos, analgésicos, digestivos, digestores, dispositivos para aliviar o sofrimento que insiste em não passar sozinho.
Outras vezes, doem rins, fígado, vesícula, útero (em quem o tem, claro). E se pensa na possibilidade de ter AIDS, câncer, gripe, diabetes, gravidez. Não deve ser nada disso. Nada que um bom médico ou um bom remédio não resolvam.
Pior é quando a dor é aquela que nenhum médico pode curar. Quando dói o coração e não há cardiologista que dê jeito. Quando a cabeça está confusa, mas nenhum neurologista entenderia. Há outras coisas que nenhum médico pode curar: o tremor das mãos, o frio na barriga, o arrepio na espinha ao ver a pessoa amada. Assim como na música em que “ela só quer, só pensa em namorar”, o Seu Doutor nada pode fazer.
Para curar os males da alma, só um bem – bem grande. E, então, não há medicina para explicar, mas tudo vai estar ótimo. Mesmo que ainda doa pé, cabeça, barriga ou pescoço…


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