Meu último vício é vermelho. Como as unhas das putas, como as botininhas de plástico das crianças na escola. Minha nova obsessão é Moulin Rouge. As músicas, o cenário, o roteiro, a vida. Porque não só o amor é vermelho.
Esses dias, descobri que a cor vermelha de alguns alimentos é conseguida a partir de um besourinho. Muita gente sabia disso. Eu não. Prefiro não saber certas coisas, mas acabei sabendo dessa. Só podia. Para criar o vermelho é preciso vida, mesmo que de cochonilhas ou coisa do tipo.
Carmim. Cor quente. Também era vermelha a buceta da Liliana no Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, do Rubem Fonseca que eu adoro. Juro que procurei o trecho no livro, mas faz muito tempo e não achei mais. Mas lembro que era.
Mais que tudo, as coisas vermelhas exalam vida. Talvez porque são representações da vida. O sangue, o lábio, o amor, a sedução, a ira. Por isso, a música que mais escuto, no momento, é El tango de Roxanne, versão do Moulin Rouge para a música do The Police.
Vermelho é o vestido da dançarina de tango. Carmim é a cor do lábio que beija. Escarlate é o sangue que escorre da faca. O amor é vermelho em todas as suas variações.


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