O senhorzinho que cuidava do meu carro me deu um chocolate.
Simples assim. Eu estacionei na rua e, quando voltei, fui lá entregar umas moedinhas. E ele me deu um chocolate. Desacostumada que estou com a gentileza no dia-a-dia (especialmente por parte de desconhecidos), matutei ligeira: alguma coisa aconteceu e ele quer me distrair.
Nada. Tudo certo. Consciência pesada por não acreditar num gesto tão mimoso assim, em plena Sete de Setembro.
E eu vim dirigindo sorrindo, meio sem saber porquê. Preciso parar de querer entender as coisas e as pessoas. Elas sempre vão me surpreender. Como o meu vizinho, com lar quentinho, jantar, carro e família, que simplesmente ignorou meu boa noite.
A noção do mundo morreu afogada no dilúvio, só pode.


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