O cara é perfeito. Gosta das mesmas coisas que você. Canta as mesmas músicas que você assovia o dia inteiro. Fala sobre seus filmes preferidos.
Ele tem aquele nariz do jeitinho que você gosta, os ombros largos e aquele olhar que te derrete inteira. E você pensa que podiam ficar para sempre numa ilha deserta: você, ele e o Chico Buarque (não, não o Chico Buarque – hum, se bem que não seria nem um pouco mal! Mas, nesse caso, Chico se restringe à trilha sonora).
E é então que:
– você nota que ele usa pochete. P-O-C-H-E-T-E. Argh.
– ele assoa o nariz à mesa.
– ele varre o nariz em busca de um tatu. Sempre.
– ele mastiga de boca aberta. E fazendo barulho.
– ele tem um pedacinho de comida no dente (acontece nas melhores famílias, mas é broxante).
– você tem que explicar tudo. Várias vezes.
– e tem que repetir seu nome. Pelo menos umas dez vezes.
Por que é que aquele carinha com asinhas e flecha vive tentando me enganar?
Essa não é uma história real. Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.


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