Chega como um samba em dia de carnaval. Nem que eu queira, não dá pra pensar em outra coisa. E isso me irrita. Faltam só o confete e a serpentina. Explode ali na portinha do pensamento como se fosse rainha da bateria. Squindum, squindum. Dá licença, é a minha cabeça. Eu não quero incomodar, mas pode sair dela, por favor?
Não pode. Sacoleja aqui e lá, ocupando todos os segundos em que meu pensamento vaga, já nem sei por onde. Não pode ser assim. Não pode haver silêncio e você vir aqui incomodar. Eu fico tentando entender se o problema é meu. Vai ver eu só não goste dessa calma aqui dentro e traga toda a escola pra desfilar em dias de tédio e ingratidão. Tum tum tum. Só pra ocupar o vazio.
E se não dá pra encher com outra coisa? Me pego pensando em como não pensar. Tenho medo de não ter controle e deixar o samba tomar conta. Botar as sandálias de salto e sair na avenida. Ô do pandeiro, quem manda aqui sou eu. Continuo tentando me convencer.
Chove e faz frio, lá vem samba esquentar minha alma. Quem disse que eu quero? Mas vem, sacaneando todo o meu espírito rock´n roll do dia. Vamos pensar em outra coisa. Olha lá, tá chovendo. Tacundum, ticundum. E os confetes. E serpentinas. Eu não aguento mais esse samba aqui na cachola. Antes que eu comece a dançar, vai embora.
Que samba bom é samba triste, e eu não quero mais.
