“Isso, vem… vem… não, mais pra cá! Agora esterça!”
Não adianta. Vez ou outra gente acaba tendo que avisar o coração que logo ali atrás tem um passante. Ou que tá quase encostando no outro estacionado atrás.
E aí a gente fica como quem faz baliza em carro mil sem direção hidráulica. Suador danado. Ainda mais com gente olhando (eu fico tensa com gente me olhando).
Pior é quando se tem pressa: de entrar na vaga ou de deixá-la. Invariavelmente algum detalhezinho vai passar despercebido e – poft! – um pedaço do coração se estrepa. Então a gente liga pra mãe, chama o seguro, grita o melhor amigo. Depois de tudo consertado, fica aquele medo de tentar entrar numa vaga de novo – ou de ter que sair dela.
E a gente se transforma numa espécie de flanelinha de sentimento. Mas, como todo mundo sabe, flanelinha mais atrapalha que ajuda; e sentimento é coisa que não se pode manobrar (se a maioria das mulheres não têm lá muita intimidade com carros, que dizer de algo completamente abstrato?).
Só resta torcer pra achar uma vaga bacana. E botar o cinto de segurança.

