outubro 2003

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{ Fatores }

Eu sei. Vários dias sem postar nada. Não é minha culpa. Quer dizer, talvez seja. O fato é que Manoel Carlos e as marmotas me fizeram desistir. Como?

O Fator Maneco

Por causa dessa instituição terrível chamada novela e que, todo mundo, mais cedo ou mais tarde, acaba assistindo – nem que seja um capítulo (vejo um monte de comentários dizendo “eu não assisto esse lixo!”, mas continarei mesmo assim).

O Fator Marmota

Bem, não sei por que diabos o Detran dá carteira de motoristas a marmotas! Mas descobri que as marmotas também têm contas em bancos e passam muuuuito tempo para fazer um simples saque no caixa automático. Obviamente, fatores intermediários compõe este grupo: o Fator Cocoon e o Fator Bicho Grilo.

Novela é atraso de vida. Gente lerda é atraso de vida. E eis que estou rodeada disso tudo. Tudo bem, da novela eu ainda gostava…

Meu humor não esteve dos melhores essa semana. Eu parecia uma mulher-zumbi (talvez ainda pareça um pouco). Mas prometo um post pra daqui a pouco, se a Globo.com funcionar.

O Fator Desconexo

Esse post não faz sentido algum. Definitivamente.

Argh!

{ Eu não sou superior! }

Eu admito. Podem começar a me execrar (nossa, que vocabulário chique!). Penso seriamente, nesse momento, em não ir à aula de cálculo. Razões:

1- aula de cálculo é mesmo um saco!
2- estamos nos momentos finais da novela das 8, e eu vi em algum lugar que o Tom Hanks de araque vai morrer hoje!

E olha que eu nem vejo direito a tal da novela, porque tenho aula à noite. Mas, por causa da greve, acabei passando umas noites em casa e assistindo. Por um lado até que é bom. Afinal, quem não vê a saga do Manoel Carlos parece um alienado, abduzido para um universo paralelo em que as mulheres não são apaixonadas!

Mas por outro lado, você se pega vendo todos os sites de fofoca para descobrir o que vai acontecer na novela hoje, porque sabe que estará desenhando vidros de geléia às 21h! Argh! E pára em frente a banca para ler a capa da Contigo! Ui! E vão descobrir que você não é uma mulher superior, que você torce para a Dóris ficar tetraplégica e ter de ser cuidada pelos avós (que subitamente vão adquirir um comportamento mau e impiedoso!) e pro troncho do Fred ficar com a mão peluda e acabar com a Edvirgem que não dá pra ninguém!

Ai, será que isso tem cura?

Noveleira? Eu??

{ Camisa de força }

Estou no meu inferno astral. Ou estava, até ontem. Nas últimas semanas, acontecimentos dos mais improváveis têm acontecido repetidamente. Minha sandália arrebentou quando eu fui almoçar e passei o dia descalça, não fui para a aula no dia em que tive uma aula legal justamente porque minha sandália se revoltou, o chuveiro queimou quando eu tinha acabado de me molhar (e molhar o cabelo, claro), meu pai me pediu, na segunda, para fazer um trabalho para ele – até quarta-feira, tenho que fechar três jornais essa semana, além de ajudar a fazer os outros… argh!

Que seja. Melhor morrer louca que morrer de tédio.

Pelo menos, a loucura é que me persegue. Ela está sempre um passinho atrás de mim, pronta me alcançar na próxima esquina. Mas eu não corro atrás dela, eu só fujo. Tem gente que parece que busca a insanidade. Liga pra ex-namorada tirana, vai atrás de homem casado, se mete a acampar e a ter filhos. Se bem que, hum, ter filhos é uma loucura que eu ainda quero cometer. E casar. E pular de pára-quedas.

Ah, quer saber? Loucura é só questão de referencial.

dizem que sou looooouco…

{ Rótulo }

Sempre quis uma tatuagem. Desde muito nova, quando não era moda e era coisa de quem tinha colhões. Mas, morando no interiorrrrrr, há de se imaginar que, além de não haver tatuador na cidade, esse tipo de prática não era lá muito bem vinda. Mas eis que mudei pra Curitiba – e começou a coceira pra fazer uma.

Sabendo dos pelo menos três tipos de ataque que minha mãe teria – ataque histérico, ataque cardíaco e ataque de raiva, entre outros –, optei pelo piercing. O argumento “quando eu quiser eu tiro” era ótimo. Botei o brinco no umbigo, e nada do desejo de fazer uma tatuagem passar.

A verdade é que fiquei dos 10 aos 19 anos sentada, esperando a vontade passar, mas necas. Então criei coragem de enfrentar a agulha (e a mãe) e fui. O que eu não sabia é que tatuagem vicia; é praticamente impossível ter uma só. Depois da primeira, fui para meu segundo piercing (nova tentativa de não fazer outra “marca” no meu corpo).

Preciso dizer que não resolveu? Hoje tenho três tatuagens, que eu adoro. Só não faço mais porque logo vai ser impossível escondê-las. E, por mais que o mundo se diga moderno e livre de preconceitos, às vezes é preciso.

Minha mãe disse que eu era maloqueira. Ah, e quem disse que eu não sou? Sempre fui espevitada, ovelha negra da família (odeio esse termo, mas não há sinônimos perfeitos para ela), moleca, biscate (isso era o que diziam, eu não concordo não). Um rótulo a mais, um a menos, não faz a menor diferença agora.

Antes que eu me esqueça, o melhor das tatuagens: espanto, de cara, gente preconceituosa. Isso é ótimo.

{ Ei! }

Ei, Globo.com, vai tomar no cu!

Eu amo a Globo.com, que passou o dia em manutenção para melhorar seus serviços. Pelo visto, não tem adiantado muito.

E aí?

Um professor me disse, uma vez, que na internet tudo é mal interpretado. Concordo. Você escreve, educada e humildemente:

Fulana,
Pode fazer a gentileza de me enviar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses?

E a pessoa interpreta como:

Fulana,
Pode fazer a GEN-TI-LE-ZA de me enviar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses?

Ou seja, de maneira mais clara, a mensagem compreendida é:

Fulana,
O mínimo que você pode fazer é me mandar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses! Por que ainda não enviou? Acha que é paga para que?

Para isso inventaram os emoticons. Mas eles ficaram restritos aos chats e pode soar meio teenager usar desses artifícios nos e-mails mais “sérios”. Nesses casos, usar o telefone pode ser mais eficiente.

O problema maior acontece quando a conversação acontece com pessoas que você conhece apenas virtualmente – e, consequentemente, não tem o número de telefone para ligar e dizer o que quer. O que é ótimo, já pensou o que seria dos blogs super comentados se todos os palpites fossem feitos pela invenção de Graham Bell?

(A propósito, não tem nada a ver, mas me lembrou uma piadinha ruim mas bem bonitinha:
Como duas baratas se comunicam?
Via Embaratel!)

Mas, explicações e mais explicações, palavras e mais palavras digitadas, calos e mais calos nos dedos, finalmente a gente se entende. Melhor assim.

Hein?

Eu estou na TPM. Num mês de 30 dias, tive mais ou menos 15 de tensão pré-menstrual. Isso significa que andei com uma fome do cão, inchei até não poder mais e fiquei super manhosa. Obviamente, comi tudo o que não podia e, agora, 2 quilos a mais, continuo culpando o inchaço. Minhas calças largas agora já me apertam, e eu sei que não vou conseguir parar de comer até essa porra de TPM ir embora.

Pior de tudo é que EU SOU UM PRODUTO DA MÍDIA. Um amigo me disse, esses dias, que ele era uma vaquinha de presépio que a mídia manipulava. Pensando nisso, eu cheguei à conclusão que eu também sou. Eu quero ser magra porque todas as mulheres das tevês e cartazes e revistas e propagandas e desfiles são magérrimas. E eu não acho que isso tá certo, mas é mais forte que eu!

Então, provavelmente, vou me obrigar a passar a semana que vem (em que não estarei na TPM) comendo alface. E eu não queria. Por que eu sou assim? Maldita tensão pré-menstrual que me faz engordar. Maldita mídia que me faz emagrecer.

Bendito seja o meu “muso” Vinicius de Moraes, que viveu como bem quis.

Não Comerei da Alface a Verde Pétala
Vinicius de Moraes

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

Um comentário por um quilo:

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