setembro 2003

You are currently browsing the monthly archive for setembro 2003.

{ Roxanne }

Roxanne, you don’t have to put on the red light
Those days are over
You don’t have to sell your body to the night

Roxanne, you don’t have to wear that dress tonight
Walk these streets for money
You don’t care if it’s wrong or if it’s right
Roxanne, you don’t have to put on the red light
Roxanne, you don’t have to put on the red light
Roxanne, put on the red light

I love you since I’ve knew you
I wouldn’t talk down to you
I have to tell you just how I feel
I won’t share you with another boy

I know my mind is made up
So put away your makeup
Tell you once I won’t tell you again it’s a bad way
Roxanne, you don’t have to put on the red light
Roxanne, you don’t have to put on the red light
You don’t have to
Roxanne, put on the red light

You don’t have to
Roxanne, put on the red light

{ Carmim }

Meu último vício é vermelho. Como as unhas das putas, como as botininhas de plástico das crianças na escola. Minha nova obsessão é Moulin Rouge. As músicas, o cenário, o roteiro, a vida. Porque não só o amor é vermelho.

Esses dias, descobri que a cor vermelha de alguns alimentos é conseguida a partir de um besourinho. Muita gente sabia disso. Eu não. Prefiro não saber certas coisas, mas acabei sabendo dessa. Só podia. Para criar o vermelho é preciso vida, mesmo que de cochonilhas ou coisa do tipo.

Carmim. Cor quente. Também era vermelha a buceta da Liliana no Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, do Rubem Fonseca que eu adoro. Juro que procurei o trecho no livro, mas faz muito tempo e não achei mais. Mas lembro que era.

Mais que tudo, as coisas vermelhas exalam vida. Talvez porque são representações da vida. O sangue, o lábio, o amor, a sedução, a ira. Por isso, a música que mais escuto, no momento, é El tango de Roxanne, versão do Moulin Rouge para a música do The Police.

Vermelho é o vestido da dançarina de tango. Carmim é a cor do lábio que beija. Escarlate é o sangue que escorre da faca. O amor é vermelho em todas as suas variações.

{ Let´s have sex }

Esse, assim como os dois posts anteriores, são em especial pra uma amiga minha. Curioso é que ela não lê o blog. Mas, se lesse, ela saberia.

(Eu fiz essa crônica há alguns anos, ainda na faculdade, e ela adorou. Na verdade, não é o mesmo texto porque aquele se perdeu graças à minha placa mãe assassina! O contexto é que é o mesmo, apesar desse me parecer mais sério.)

Let´s have sex

Dezesseis e trinta e cinco, foi a senhora até à livraria. Vários livros. Olhou e se deparou com manuais de sexo, dizendo como ter uma noite de pleno prazer. Para gozar a noite toda, para fazer o marido enlouquecer de tesão. Tanta bibliografia não podia estar errada: a vida com o marido devia mesmo estar meio morna, ela é que não tinha percebido.

Como ter cinco orgasmos múltiplos em uma hora de sexo? Não é possível, ela nunca tinha experimentado aquilo. A vida sexual deles devia mesmo ser uma porcaria. A senhora comprou logo uns dez manuais do tipo. Um deles haveria de satisfazer as necessidades do casal.

Na hora do vamos-ver, lá estavam eles. A pilha de livros ao lado da cama, posições escolhidas, páginas marcadas.

Isso, agora passa a perna para lá.
Não, não, tá errado! Olha aqui como é que faz!
E o que é que eu faço com picolé?

E, em meio a tantas regras, não havia tesão que resistisse. As pernas já não conseguiam mais se manter na posição indicada, quanto mais fazer movimentos como mandavam as “bíblias do sexo”.

Estavam desolados. Era impossível, não havia mais solução para eles. Deviam mesmo desistir, separar-se, mesmo depois de 37 anos de casados.

Foi quando ela olhou pro marido, ali ao lado, com aquela barriguinha de cerveja e o dedão do pé torto. Os olhos meio vesgos. As mãos já enrugadas. E então ela teve certeza. Entendeu tudo.

Tudo o que ela precisava estava ali, há anos. As qualidades e defeitos que tanto a encantaram. Um fogo começou a surgir dentro dela. Tesão louco, irrefreável. Ela olhou pro marido e eles se amaram, como faziam há 37 anos.

Só aí ela entendeu que eles eram felizes na cama e fora dela. E nenhum manual de auto-ajuda os convenceria do contrário.

Comente!

{ Em tempo }

Para quem achar que eu sou metida a besta, que fique claro que eu me fodi muito antes de entender tudo isso. E tenho dito!

Blé!

{ Independência ou morte! }

Todos dizem que querem ser independentes, que querem ser livres. Mas sempre preferem ficar presos. Presos a situações desconfortáveis, a atitudes incômodas, evitando a tarefa de assumir prováveis erros e eventuais desastres. Afinal, o que fazer se não houver quem culpar a não ser si próprio? E então suportam tudo.

Cada vez uma desculpa diferente para desculpar a própria fraqueza. A verdade é que se tem medo. Porque ser livre é bom, desde que possa sempre escapulir quando a coisa apertar. A natureza humana deve ser muito fraca mesmo. O desejo de ser livre sempre bate de frente com o medo. E então só resta a você a escolha.

E quantos você não conhece que continuam resignados enquanto o mundo gira? Gente que pode mudar, que pode ir atrás do que quer, que pode ser feliz. Mas, se forem, não poderão culpar a mais ninguém. Eu escolhi arriscar.

Quem mexeu no meu queijo? foi o melhor livro de auto-ajuda que eu já li. Acho que é porque foi o único que realmente me ajudou (aliás, dúvidas quanto ao quesito “auto-ajuda”, já que é a leitura que me ajuda.). Uma questão me atormentava dia e noite:

“O que você faria se não tivesse medo?”

Foi então que eu descobri que eu desejava tanto ser feliz, mas tanto, que tinha medo. Eu tinha tudo ao meu alcance, mas era preciso correr um pouco.

Hoje, dia sete de setembro, independência do Brasil, descubro que “independência ou morte!” tem mais sentido do que eu jamais imaginei. Entendo, agora, que ser livre é arriscar ser feliz. Quem não se dá ao trabalho de arriscar já está morto – mesmo que vivo.

O que você faria se não tivesse medo?

{ Eu sei }

Eu sei, eu sei. Deixei a mosca mergulhar de cabeça e nadar no chá. Abandonei o blog por algumas semanas. Mas porra! Eu voltei, agora pra ficar – pelo menos até o próximo final estressante de semestre. O pior da greve é que tenho dois finais de semestre para ter só um semestre. Ê lerê. Mas se não fosse a greve…

Bom, mas voltando ao assunto… eu voltei! Mereço muitos comments, dizendo que estavam com saudades, acompanhados de pedidos para não sumir nunca mais e servidos com “graças a deus que você voltou”! Cadê? Cadê?

Humpf!

Prato feito:

{ All you need is love }

{ Medicina alternativa }

Tem dias que a gente dói. Pé, cabeça, barriga ou pescoço. Nesses dias, a gente vive apoiado em anestésicos, analgésicos, digestivos, digestores, dispositivos para aliviar o sofrimento que insiste em não passar sozinho.

Outras vezes, doem rins, fígado, vesícula, útero (em quem o tem, claro). E se pensa na possibilidade de ter AIDS, câncer, gripe, diabetes, gravidez. Não deve ser nada disso. Nada que um bom médico ou um bom remédio não resolvam.

Pior é quando a dor é aquela que nenhum médico pode curar. Quando dói o coração e não há cardiologista que dê jeito. Quando a cabeça está confusa, mas nenhum neurologista entenderia. Há outras coisas que nenhum médico pode curar: o tremor das mãos, o frio na barriga, o arrepio na espinha ao ver a pessoa amada. Assim como na música em que “ela só quer, só pensa em namorar”, o Seu Doutor nada pode fazer.

Para curar os males da alma, só um bem – bem grande. E, então, não há medicina para explicar, mas tudo vai estar ótimo. Mesmo que ainda doa pé, cabeça, barriga ou pescoço…

Qual é o seu remédio?

Newer entries »