Fui levar meu carro pra arrumar (por causa da batida com a senhora-que-acha-que-está-sozinha-no-mundo). E é claro que ele não ficou lindo e perfeito como era antes. É claro que dá para notar que ele foi remendado.
Eu, revoltada, pensei em ir até a casa da dona e exigir uma lanterna e um pára-choque novos. Senti um déjà vu.
Muitas vezes eu já quis ir atrás de um ou outro dito cujo que não olhou para os lados e passou por cima de mim. E enfiar o dedo na cara do gajo e dizer “escuta aqui, chuchu, eu não era assim antes de você fazer isso comigo, faz favor de me dar um coração novo!”.
Mas é claro que ele não me devolveria. No máximo me faria um cafuné rápido e diria que “a vida é assim mesmo, a culpa não é sua, eu preciso ficar sozinho um tempo”. Mesmo que, na outra semana, ele aparecesse agarrado em outra.
Assim vai ser com o meu carro. “Sabe como é, ninguém quer bater em outro carro de propósito, essas coisas acontecem, mas eu não vou te pagar uma lanterna e um pára-choque novos!”.
Tudo bem. Eu já vivo com um coração cheio de riscos. Ter um carro assim não vai ser tão pior.
NOTA DE FALECIMENTO
É com extremo pesar que comunico o falecimento de
Orchídea Brasilienses
que se encontrava sob minha custódia desde Maio/2003. Era propriedade de Alexandre Henrique Pott e teve falência múltipla dos órgãos na última semana. Seu sepultamento dar-se-á no dia em que a mesma secar pro completo.

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