Mora um besouro dentro do meu rádio. Eu não sei onde ele está, mas sei que ele existe. Porque quando é madrugada e eu ligo o som bem baixinho, ele fala comigo. Zzzzzzz.
E aí, tentar escrever ouvindo o acústico do Robertão é tarefa complicada. Não, o besouro do rádio não torra. Fode é quando tem um besouro morando dentro de mim. Porque para o bicho do rádio há de haver solução – mesmo que ninguém tenha achado ainda. Ou eu jogo a porcaria contra a parede e resolvo o problema.
Incomoda mais o besouro interno. Aquele que diz o que eu não quero ouvir quando eu só quero ouvir a música, que cutuca quando tudo parece tão bem, que teima em dizer que tá tudo errado quando tudo fica bem certinho. Enche o saco a porra do besouro que insiste em sussurrar que tudo tem que ser diferente.
E quando me irrito com o zzzzzzz do rádio eu desligo e fica tudo em ordem – com o rádio. O besouro que mora aqui dentro não desliga, mesmo quando durmo. É impossível. Ele vem voando e – ploft – bate contra o vidro de carro, me obrigando a mudar de caminho e encontrar com quem eu não quero. Chiado no sonho.
O analista tenta dar umas chineladas nele. Eu apaguei a luz esperando que ele saísse pra procurar outra fonte luminosa.
Ele insiste. Zzzzzz.
PS: esse texto definitivamente não me reflete hoje. Mas vai esse mesmo, escrito há um mês, só pra não ficar muito tempo sem postar…

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